Paixão hereditária: pais e filhos dividem a saudade de frequentar os estádios de futebol

Longe das arquibancadas e com filhos tão jovens, os pais torcedores se indagam: é possível manter acesa a chama da paixão pelo time à distância?

Tudo começa com uma notícia de teste positivo. Mary está grávida de 15 semanas. É outro menino, Caio. O paizão Maykol Kuramoto não poderia estar mais feliz. Na verdade, poderia, sim. Desde que começou a pandemia e foi proibido público nos estádios de futebol, a família não voltou a fazer o que mais gosta: acompanhar os jogos do Atlético-GO.

A única queixa do papai de segunda viagem é que Caio vai ter que esperar um pouco mais do que Davi, o primogênito de seis anos, para fazer sua estreia nos estádios de futebol. “É muito ruim deixar de ir ao estádio, ainda mais pela fase em que o Atlético-GO está. Eu levo o Davi aos parques todos os dias a tarde, jogamos bola. Geralmente assistimos todos os jogos em casa, sempre juntos. Não é a mesma emoção, porque estar no estádio é diferente”, contou Maykol.

O programa de família aos finais de semana era ir ao estádio. Tiveram de se readequar. Mesmo assim, os planos para o futuro continuam. Maykol quer proporcionar ao caçula a mesma experiência do mais velho. “Um filho é sempre benção de Deus. Estou feliz com mais um novo membro na família, que vai ser atleticano, não tem como escapar, aqui em casa todo mundo é. Quero levar ele em todos os jogos, como levei o Davi, sempre, desde quando nasceu”, declarou o torcedor.

Quem também teve de readequar os programas de final de semana foi o torcedor do Goiás Carlos Lessa. Pai de três meninas, o representante comercial trocou os estádios por parques e zoológico. Os jogos do time do coração não ficaram para trás, mas a emoção precisa ser mais comedida em casa. “É muito diferente ver jogo de casa, eu fico nervoso, não pode xingar muito. A pequenininha ainda assusta com gol”, contou aos risos o pai de Raissa, Ísis e Maya, de 14, 3 e 2 anos respectivamente.

Os cuidados com a pandemia tiraram a família dos jogos de futebol. “Era um programa de pai e filhas”, lamentou Carlos. Ainda que o governo autorize público, o torcedor esmeraldino acredita ser difícil voltar a normalidade. “Quando assisto aos jogos, elas ficam comigo, mas fora de casa é complicado. De imediato, não vou leva-las (ao estádio), não vou expor elas a risco”, comentou o alviverde.

Com filhos tão jovens, os pais se indagam: é possível manter acesa a chama da paixão pelo time à distância? “Eu tento passar para elas a opção pelo time. Até agora está dando tudo certo. Infelizmente, veio a pandemia e não pude mais repetir essas idas ao estádio”, respondeu Carlos.

Leandro Durões fez o “dever de pai” certinho. Sem riscos de Guilherme, de 9 anos, se apaixonar por outro manto que não o vermelho e branco. A pandemia afastou pai e filho do estádio, mas o amor pelo Vila Nova não mudou. “Desde que nasceu, meu filho me acompanha nos jogos do Vila. Tive de reinventar para que ele continuasse com a paixão. Todo sábado é nossa regra usar a mesma camisa do Vila. Hoje, posso dizer que meu filho é igual ou mais torcedor do que eu mesmo”, contou o colorado.

A paixão pelo clube é hereditária, passou do pai de Leandro para ele, e dele para Guilherme. Não é coincidência. A criança carrega o nome do maior ídolo da história do Tigre nos anos 70.

Mais do que futebol, o Vila Nova aproxima pai e filho, que estão cada vez mais juntos. “Apesar de não estarmos no estádio, o que era nossa rotina, continuamos acompanhando, sempre juntos, cada vez mais companheiros um do outro. Posso dizer, com orgulho, que meu filho será sempre meu melhor amigo”, contou emocionado Leandro.

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