Pais denunciam medida que impede a matrícula de seus filhos no CMEI Bairro Feliz

CMEI impede que crianças de 4 anos se rematriculem 

Pais dos alunos do Centro Municipal de Ensino Infantil (Cmei) Bairro Feliz elaboraram um abaixo-assinado denunciando a extinção da turma de 4 anos da unidade e a transferência dessas crianças para a Escola Municipal Laurício Pedro Ransmussem. Com isso, 18 crianças deixariam a creche.

O anúncio foi feito aos pais por meio de um comunicado emitido pela Secretaria Municipal de Educação e Esporte. No comunicado, a Prefeitura de Goiânia justifica que a mudança foi feita para que fosse possível “ampliar vagas para creche de 0 a 3 anos”.

Os pais questionam a decisão. A manicure Jandira Barbosa tem uma filha matriculada na unidade, que faz 4 anos de idade no próximo ano e luta para que a filha possa continuar no CMEI. Uma das questões que aflige os pais é que, diferentemente do CMEI, as escolas municipais só atendem em meio período.

“A gente precisa trabalhar e não tem como deixar nossos filhos em outro lugar no resto do dia, precisamos do período integral”, afirma. Com o trabalho de manicure, Jandira mantém a casa com dois adultos e três crianças. “Se eu tiver que deixar de trabalhar para cuidar dela, a gente fica sem fonte de renda aqui em casa”, relata.

Até então, as crianças com até 5 anos de idade poderiam se matricular nos CMEIs. Santiago Pereira, que é pai de um menino que faz 4 anos de idade no dia 14 de novembro, disse ao Jornal Opção que um dos problemas é que os pais foram avisados em cima da hora. As matrículas começam no dia 6 de novembro, na próxima semana, e eles foram avisados há duas semanas apenas.

“É um tempo muito curto para que a gente possa se programar”, declara Santiago, que também é professor e precisa que o filho fique no centro de ensino em tempo integral. Além disso, os pais questionam a maturidade dos filhos nessa idade para conviverem em uma escola comum.

“Lá, não tem o mesmo acompanhamento da criança que o CMEI oferece, não tem aquele cuidado especial com a criança”, disse Santiago. Jandira ainda questiona que, nessa idade, são poucas as crianças, por exemplo, que conseguem usar o banheiro sozinhas.

A denúncia dos pais já foi protocolada na Defensoria Pública e encaminhada para o Ministério Público de Goiás apurar. A principal reivindicação dos pais é para que o MP-GO faça com que o CMEI Bairro Feliz deixe que as crianças de 4 anos sejam matriculadas no próximo ano.

A principal justificativa da prefeitura é que foi preciso excluir a turma de 4 anos para abrir vagas para aquelas que têm entre 0 e 3 anos. De acordo com a SME, a determinação foi uma exigência do Ministério Público de Goiás.

Carolina Guedes, uma das mães mobilizadas na questão, relata que os pais foram ao Ministério Público questionar essa determinação e o órgão afirmou que se pediu, sim, o aumento de vagas, mas não em detrimento da saída das crianças mais velhas.

“Não é nos prejudicando que eles vão resolver o problema da falta de vagas, eles têm que criar vagas e não tirar”, protesta Jandira. Já Carolina questiona, também, que a decisão foi tomada sem consulta aos pais. “Foi uma decisão antidemocrática e nós vamos continuar nos mobilizando”, afirma.

A reportagem pediu explicações para a SME, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. A denúncia não é a primeira que chega ao Jornal Opção. Nesta semana a vereadora Sabrina Garcês também denunciou situação semelhante no Jardim Novo Mundo. De acordo com Carolina Guedes, os pais das crianças atingidas por essa medida na capital estão unidos contra a decisão. “Nós já somos 200 pais mobilizados nas redes sociais”, disse.

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