Pacientes reclamam de falta de médicos, remédios e falhas no sistema de saúde da capital

Jornal Opção percorreu os Cais de Goiânia e ouviu as queixas de pacientes 

Fila no chequinho no Cais do Jardim Guanabara | Foto: Mayara Carvalho

Quem precisou de atendimento nas unidades de saúde públicas de Goiânia, na manhã desta terça-feira (16/10), mais uma vez se deparou com o descaso e com a má administração. A reportagem presenciou a dificuldade enfrentadas pelos pacientes nos Cais da capital, que passam pela falta de profissionais, de medicamentos e até falhas no sistema que impedem a autorização para consultas e exames.

A reportagem do Jornal Opção percorreu algumas unidade de saúde nesta terça-feira (16) e encontrou pessoas como a Kelly de Freitas. Ela mora na Vila Concórdia, mas como não existem mais médicos do Programa Saúde da Família (PSF) que realizam atendimento no seu bairro, ela precisa caminhar cerca de 10 minutos até o Cais Amendoeiras atrás de uma consulta.

Pela terceira vez ela estava no local atrás do atendimento. Das outras duas vezes, ela agendou a consulta pelo 0800, mas o médico não apareceu.

“Da última vez eu cheguei aqui às 7 horas para ser uma das primeiras a ser atendida. Eram 15 horas e o médico ainda não tinha chegado. Ficamos aqui até as 17 horas quando nos dispensaram e mandaram reagendar a consulta”, conta.

Kelly ainda reclama que faltam medicamentos na farmácia da unidade.  “Eu tomo antidepressivo e na grande maioria das vezes eu não consigo ele aqui. Só tem dipirona, remédios mais básicos mesmo”, lamenta.

A Maria de Jesus também estava no Cais Amendoeiras e enfrentava a mesma situação: depois de duas tentativas, ela voltou à unidade para tentar ser atendida por um médico. “E quando você consegue ser atendida, não tem o remédio que precisa. Da última vez que consultei aqui eu não consegui pegar o medicamento pra dor de coluna”, continua.

De acordo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), no Cais Amendoeiras não há registro de falta frequente do médico citado. “Foi registrada uma falta pontual devido ao luto na família do médico”, esclarece.

“Em relação aos exames, a SMS esclarece que  a coleta de material é realizada no próprio cais e os exames são realizados em outras unidades de saúde da região, portanto, todos os exames são feitos e nenhum paciente fica prejudicado. Já em relação aos medicamentos a SMS explica que já está sendo feita licitação para reabastecer os medicamentos que estão em falta”, afirmou a secretaria em nota.

No Cais do Jardim Guanabara a situação era ainda pior. Muitos pacientes estavam irritados com a dificuldade em conseguir o chequinho, a autorização para realizar exames. No final da fila, Márcia Alves desabafou: “Resumindo em uma palavra, o atendimento aqui é uma porcaria. É um descaso e um desrespeito muito grande. Estamos aqui na fila e dizem que o sistema parou, mas no outro guichê o sistema está funcionando. Não dá pra entender”.

Nervosa, a dona Floraci aguardava há mais de duas horas para pegar o pedido de uma mamografia para só, então, conseguir entrar na fila do chequinho. “Eles falam que está trocando o sistema e, por isso, que está demorando. Mas depois de pegar esse pedido ainda tem outra fila enorme para enfrentar. Vou ficar aqui o dia todo”, lamentou.

A SMS informou que, pontualmente o movimento no setor de chequinho foi maior nesta terça (16) no Jardim Guanabara devido a realização do Dia D de Mamografia. Já em relação ao atendimento de urgência não foi constatado nenhum problema, e o atendimento foi considerado normal.

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