O que deveria ser apenas uma consulta médica se transformou em meses de medo e insegurança para uma profissional de saúde em Anápolis, na região central de Goiás. Após atender um paciente em julho deste ano, a médica passou a ser alvo de uma série de perseguições e mensagens de cunho sexual e ameaçador. A situação fez com que ela mudasse sua rotina e passasse a pedir ao namorado que a buscasse no trabalho, por receio de encontrar o suspeito.

Segundo a delegada Isabella Joy, responsável pelo caso, o homem começou a procurar a profissional em diferentes unidades de saúde onde ela realizava plantões. Mesmo depois de a médica se recusar a atendê-lo novamente, ele teria continuado a frequentar os hospitais e chegado a marcar consultas com outros profissionais para tentar obter informações sobre ela.

A perseguição também teria ocorrido pelas redes sociais. Conforme a investigação, o suspeito utilizava diferentes perfis para enviar mensagens à médica, algumas com insinuações sexuais e outras interpretadas como ameaças.

“Talvez eu possa invadir uma casa para tomar uísque com você”, dizia uma das mensagens atribuídas ao investigado.

Em outra publicação, ele teria escrito: “Quer provar do meu arroz e eu provo de você?”. Registros apresentados à polícia mostram que a médica chegou a bloquear pelo menos três perfis associados às mensagens.

Além das abordagens virtuais, a delegada relatou que o homem teria ultrapassado os limites do contato profissional durante um dos atendimentos.

“Inclusive, em uma das vezes em que ela consultou ele, ele pegou na cintura dela de uma forma que pode ter sido de cunho sexual”, afirmou Isabella Joy.

Médica denuncia perseguição e ameaça de paciente há meses: ‘Talvez eu possa invadir sua casa’ — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Prisão após nova visita ao hospital

O suspeito foi preso na terça-feira, 3, depois de aparecer novamente na unidade de saúde onde a médica estava trabalhando. Diante da presença do homem, a profissional acionou a Polícia Militar.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis, a médica já havia comunicado a situação no dia 27 de outubro. Na ocasião, a polícia chegou a ser chamada, mas os agentes avaliaram que não havia condições para conduzir o suspeito.

A situação, no entanto, continuou. Segundo a Polícia Civil, o comportamento atribuído ao paciente provocou medo na profissional, que passou a adotar medidas de precaução, inclusive evitando deixar o trabalho desacompanhada.

Durante a prisão, o homem negou que estivesse perseguindo a médica. Sua identidade não foi divulgada.

Médica pediu medida protetiva

Diante da sequência de episódios, a profissional solicitou uma medida protetiva contra o investigado. A intenção é impedir novas aproximações e contatos por parte do suspeito.

Segundo a delegada Isabella Joy, o homem permanecia preso até esta quarta-feira (4) e poderá responder pelos crimes de perseguição e ameaça.

A investigação apura as abordagens presenciais, as mensagens enviadas pelas redes sociais e as circunstâncias em que o suspeito procurava a médica nos hospitais.

O caso evidencia como uma situação inicialmente restrita ao ambiente profissional pode ultrapassar os locais de trabalho e comprometer a sensação de segurança da vítima, afetando sua rotina e sua vida pessoal.

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