Coach goiano também buscou indulgência do músico Nando Moura, ao presidente Jair Bolsonaro e à mulher de Silas, Elizete Malafaia

O goiano Pablo Marçal e o carioca Silas Malafaia | Foto: Arquivo pessoal

Pré-candidato do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) à presidência, Pablo Marçal cumpriu o prometido e levantou bandeira branca para o pastor Silas Malafaia, com o qual peleava desde o dia 22. Ao lado de uma Bíblia que ganhou do próprio carioca, o coach goiano se valeu de um frase atribuída ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, que na avaliação dele foi o melhor chefe do executivo do país, para dizer que volta atrás porque não tem compromisso com o erro. Ele buscou indulgência do presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, disse que o ama, o respeita e também pediu para que ele o desbloqueie no WhatsApp. O político ainda instou perdão ao músico Nando Moura, ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e à Elizete Malafaia, esposa de Silas.

“As minhas mãos estão sempre carregadas de frutos daquilo que eu faço. Já não me importo com reputação faz tempos, se não nem estaria aqui fazendo isso. Na hora que eu percebi que eu abri mão dos frutos para pegar pedras, eu perdi os frutos”, disse Marçal. De acordo com Malafaia, a divergência com o goiano começou após um convite público, feito pelo próprio pastor, para debater com os cidadãos a teologia de Pablo, ainda em fevereiro. Preocupado com as repercussões da análise de Malafaia, o coach messiânico, mentor do grupo resgatado no Pico dos Marins, em janeiro, teria entrado em contato com o religioso para dialogar sobre o debate. A crise, que precedeu a guerra que se desenrola, ainda segundo Silas, teve origem em diferentes pontos de vistas teológicos e é anterior a decisão de Pablo de concorrer à presidência da república, que teria sido comunicada para o pastor no mês de março.

Marçal, no entanto, alega que os problemas foram reações às críticas feitas por Silas durante um culto no dia 22. A partir daí os dois iniciaram uma série de troca de farpas que incluiu classificações como, por exemplo, “manipulador”, desbaratinado, dissuasor, “intolerante” e “desequilibrado”, por parte de Pablo, e, entre outros, “bandido”, “mentiroso”, “mau-caráter”, “perturbado mental”, “cínico”, “inescrupuloso”, “covarde”, caluniador, “manipulador da fé”, “falsário”, “megalomaníaco” e “psicopata”, no que tange a Silas. O carioca inclusive chegou a imputar ao goiano a alcunha de Pablociolo, em uma referência ao ex-presidenciável e provável candidato ao Senado, Cabo Daciolo (PDT-RJ) porque, tal qual ele, Pablo teria um devaneio messiânico de chegar ao Palácio do Planalto. Também disse que Marçal tem “sintomas de doença mental grave” e sugeriu que ele busque tratamento psicológico e psiquiátrico.

Além das ofensas mútuas, a crise foi marcada por ameaças. Pablo disse publicamente que se Silas continuasse a critica-lo ele revelaria informações privadas sobre o pastor, inclusive envolvendo Elizete. “Ousa falar do meu nome de novo, Silas. Vou falar para o Brasil inteiro, para todos os pastores saberem o porque sua esposa só fazia tratamento nos Estados Unidos, por uma coisinha que você andou fazendo contra ela”, disse. Ele também insinuou que Malafaia teria vínculo com a maçonaria, que seria um dos pastores mais ricos do Brasil e que teria um sócio envolvido em um golpe bilionário. Porém, as ameaças de Marçal não surtiram efeito e na sexta-feira, 27, o pastor voltou a subir o tom em relação ao pré-candidato do Pros ao Palácio do Planalto.

A decisão de Pablo de pedir perdão vem na esteira das respostas e versões de Silas sobre a briga entre eles. Na ocasião, o coach se limitou a ironicamente chamá-lo de “irmão mais velho” e a mandá-lo cuidar da própria vida. Agora, nesta terça-feira, 31, resolveu fazer evoluir para a tentativa de paz. “Continue se sentindo amado e respeitado por mim, nunca mais vou ser um problema na sua vida”, garantiu o goiano. Marçal alegou que, embora não deseje provar arrependimento, decidiu fazê-lo de forma pública para formalizar a decisão. Também declarou que não é não tem inimigos, mas que as discussões públicas potencializaram desafetos, tanto dele quanto de Malafaia.

“Não quer ser antagônico, não quero ficar contra, Apesar de parecer divertido para algumas pessoas que me procuraram e quiseram colocar lenha na fogueira, eu percebi que estava brigando em família e decidir voltar atrás”, explicou. De acordo com o presidenciável, apesar de ser bacharel em Direito ele nunca chegou a processar uma pessoa, mas agora, aos 35 anos, errou ao buscar outro meio para a própria defesa e se arrepende. “Me perdoe por tudo o que mais sagrado. Falei coisas que eu não precisava falar e usei um direito que eu abro mão sempre, o de me defender, porque a verdade não precisa de defesa”, continuou.

Marçal disse também que o maior arrependimento, em meio a uma pluralidade de ofensas entre eles, foi ter feito insinuações que envolveram Elizete. “Em relação ao Silas o que mais me arrependi de ter falado foi em relação à sua esposa. Retiro tudo o que falei e te peço perdão Silas”, falou. Pablo retirou inclusive a afirmação que Malafaia era um covarde. Em novo tom, o goiano disse que o carioca tem muita coragem por falar o que pensa, por “peitar” ministros do Supremo Tribunal Federal e por defender “uma grande classe no país”.

O coach ainda assumiu que um ímpeto por engajamento e visibilidade potencializou a decisão dele de manter o assunto na mídia, mas reiterou que se arrepende. “Eu te respeito. Todo esse escarcéu que foi implantado, tanto da sua parte quanto da minha, vai finalizar agora. Da minha parte você se considera livre, não tenho nada contra você, não me levanto contra você. Que o Senhor seja o julgador entre nós”, acrescentou. Pablo também alegou que se tivesse ouvido antes um áudio de Silas, onde ele afirma que Deus deu à Marçal “uma unção de rei”, a situação não teria ido tão longe.

Mais arrependimentos

Citando a parábola de Davi e Golias, Pablo manteve a divergência de posicionamento em relação a Malafaia apenas no âmbito eleitoral. Ele disse que acredita, de “coração”, que Jair Messias Bolsonaro não vencerá as eleições de outubro deste ano, apesar de Silas estar “fechado” com o projeto de reeleição do liberal. Mesmo assim pediu perdão ao presidente. “Me perdoe por ter falado qualquer coisa. Você é o governador, é o atual rei. Na democracia a gente chama de presidente. Me perdoe. Se eu falei alguma coisa, eu vou atrás nisso. Que você possa continuar prosperando até o final do seu mandato”, declarou.

Na processo de remissão, Marçal ainda se defendeu dizendo que se o Brasil estivesse bom, ele jamais seria pré-candidato à presidência. Em um dos episódios da crise entre ele e Silas, o goiano chegou a creditar ao carioca responsabilidade pela crise político-administrativa do governo Bolsonaro. “Você hoje é o principal conselheiro do presidente da república. É por isso que este país está essa intolerância. Você não tem tolerância com os outros. Você não tolera nada. Você acha que todo mundo tem que o que você quer. Por isso que o presidente é desequilibrado igual a você”, cravou.

Pablo também relembrou um atrito com o músico e analista político Nando Moura e pediu perdão por ter dito que ele não teria uma família. “Parece que sua esposa não pode ter filhos. Eu fiquei constrangido com isso e desejo do fundo do meu coração que vocês tenham filhos”, afirmou.

Por fim, o coach disse que está em processo de mudança de rota, que ele não mais será flagrado “falando mal” de outra pessoas e que da parte dele o caso está encerrado. No entanto, ele ainda espera que Silas se posicione para dizer se aceita ou não os pedidos de desculpa.

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