Os nós da aliança Lula-Alckmin

PSD cobra de Lula apoio em cinco estados para ter ex-governador de São Paulo na chapa

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram para discutir uma possível chapa formada pelo petista e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como vice. A conversa ocorreu depois que Lula e Alckmin foram vistos publicamente juntos, em um jantar no domingo, 19. Quatro dias antes, Alckmin havia anunciado a saída do PSDB, afirmando em redes sociais que, depois de 33 anos, era necessário um “novo tempo”. Mantendo conversas em se integrar ao PSD, a formalização da aliança agora depende de acordos para as disputas estaduais.

Siqueira já convidou o ex-governador para se filiar ao PSB, mas expôs diretamente a Lula as condições que o partido impõe para integrar uma chapa com o PT em 2022. O partido cobra do petista apoio em cinco estados, sendo eles: São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e Espírito Santo. De acordo com o dirigente socialista, o PT ainda não se mostrou aberto para as demandas apresentadas pela legenda. “A relação não pode ser de não única”, afirmou Siqueira ao Estadão. Diante da contrapartida considerada cara pelos petistas, Lula disse no jantar, segundo relato de participantes, que seria importante “colocar PSD no arranjo”.

A ideia é convencer o ex-tucano a se filiar ao partido de Gilberto Kassab para ser seu vice. Essa hipótese, no entanto, esbarra na resistência do ex-ministro e presidente do partido, que lançou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), como pré-candidato à Presidência. Outra possibilidade é de que Alckmin ingresse no Solidariedade. O presidente do partido, deputado Paulinho da Força (SP), admite a ideia, mas ela também sofre resistências.

Para Márcio França (PSB), principal articulador da aproximação entre o ex-presidente Lula e o ex-governador Alckmin, a concretização da união para formação de uma chapa na eleição presidencial do ano que vem é questão de tempo. Durante o jantar do grupo Prerrogativas, no domingo, Lula deixou escapar a aliados que o PSD seria o melhor destino para o ex-governador. Porém, o partido já tem candidato a presidente da República para 2022, o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (MG), o que seria um problema.

Nesse sentido, alguns consideram que o ex-presidente fez essa menção diante de várias testemunhas e de forma proposital, para “abrir uma porta” ao discurso do “infelizmente não deu”. Caso as alas do PT contrárias à composição com Alckmin ganhem mais força mais à frente, ele já tem no bolso o discurso para buscar outra construção. Hoje, Alckmin tem as portas escancaradas para a vaga de vice na chapa de Lula, tanto no PSB quanto no Solidariedade. Mas não no PSD, que lhe oferece a vaga apenas para concorrer ao governo de São Paulo. A ordem agora no PT é segurar Geraldo Alckmin ao lado do seu candidato, mas sem marcar o casamento.

Durante a conversa, o ex-presidente ainda aproveitou para indicar claramente sua intenção de formar uma aliança que vá além da esquerda. Em contramão, dirigentes do partido afirmaram ainda ser prematuro para falar em “frente ampla”, como querem os petistas. O encontro no restaurante na capital paulista reuniu integrantes de, pelo menos, nove partidos, incluindo presidentes de legendas de centro, além do PDS, o MDB e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, aliado de João Doria no PSDB. Estiveram também presentes os senadores Renan Calheiros  (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (sem partido-RJ). Além do então presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP).

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