Orçamento da Saúde de Goiânia só dá para pagar folha e fornecedores, reconhece diretor

Vereadores averiguam falta de investimentos no setor diante a pagamento de mestrado a servidoras no valor de R$ 108 mil

Divulgação/Câmara de Goiânia

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura a situação da Saúde na capital ouviu nesta segunda-feira (20/11) o diretor do Fundo Municipal de Saúde, Cássio Muriel da Silva, que reconheceu aos vereadores que não há investimentos por parte da gestão do prefeito Iris Rezende (PMDB) no setor.

Segundo ele, o repasse da Secretaria Municipal de Finanças é de no máximo R$ 42 milhões por mês, recurso suficiente apenas para quitar os gastos com a folha de pagamento e encargos trabalhistas.

Além desse montante, a administração conta que recebe por mês do Ministério da Saúde média de R$ 50 milhões, usados prioritariamente no pagamento dos chamados prestadores do SUS, como hospitais, laboratórios e médicos.

As empresas responsáveis pela manutenção de equipamentos, como raio X, e fornecedores de insumos, como seringas, luvas e até insulina, ficam em segundo plano. “Hoje se recebe bem menos do que se gasta”, tentou justificar o diretor. Questionado se o município não fazia nenhum outro investimento, Cássio Muriel confirmou que não.

“É lamentável que a prefeitura não dê nenhuma contrapartida, além do salário dos servidores. Saúde deveria ser prioridade. Informações como essa e práticas como a autorização desse mestrado, entre outras irregularidades, vão nos dando indícios das razões que levaram a esse caos que Goiânia enfrenta hoje na Saúde”, lamentou o presidente da CEI, o vereador Elias Vaz.

Mestrado de servidoras

Durante a oitiva, Cássio foi questionado sobre o pagamento do mestrado de duas servidoras municipais, no valor de R$ 108 mil. Segundo o diretor, a verba tem origem no Fundo Municipal de Saúde, que deveria ser usado para pagar hospitais, laboratórios, médicos e demais fornecedores e prestadores de serviço

“É imoral que a prefeitura deixe de pagar remédios e serviços médicos importantes para o cidadão para, em um momento de crise que estamos vivendo, manter um privilégio a servidoras que sequer são procuradoras do Município. O diretor do Fundo disse que deixa de quitar muitas contas por falta de dinheiro. Mas está sobrando para o mestrado?”, questiona Elias Vaz.

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