Oposição alega que Saneago não passa pela mesma crise que Celg passava

Líder do governo cobrou coerência desses deputados, que agora discursam contra o projeto de abertura de mercado, mas foram favoráveis à privatização da empresa de energia

Talles Barreto, deputado estadual pelo PSDB | Foto: Fábio Costa / Jornal Opção

A oposição vê a abertura de 49% das ações da Saneago como um projeto de privatização “branca”. O discurso usado para criticar o texto do governo, que deve entrar em plenário na Assembleia Legislativa de Goiás na terça-feira, 5, é que a empresa de saneamento é superavitária e não há motivo plausível para a venda. No entanto, a mesma oposição defende o processo de privatização da Celg, que foi finalizado em 2017.

Para o deputado Talles Barreto (PSDB) a venda de uma empresa pública que, na sua visão, dá lucros não é sustentável. Ele avalia que a receita da Saneago é reinvestida no próprio Estado gerando benefícios para toda a população. O parlamentar afirma que, em 2019, o Estado lucrou R$ 115,762 milhões com os serviços prestados pela empresa.

Ele alega ainda que o dinheiro arrecadado com a venda das ações não será usado de forma a trazer bons frutos para Goiás, já que estariam garantidos 30% para investimentos em saneamento básico. Isso, porque a venda será das ações primárias, responsáveis pelo saneamento básico, não das ações secundárias (ações do governo) conforme estaria na emenda de Rubens Marques.

Venda da Celg

O parlamentar, por outro lado, rebate o líder do governo na Assembleia, Bruno Peixoto (MDB), que durante sessão na Assembleia da semana passada, lembrou que a oposição votou a favor da venda da Celg no passado e cobrou coerência dos deputados. “Nós temos que ter coerência, nós somos uma nação”, disse Bruno na ocasião.

Talles afirma que, diferente da Saneago, a Celg dava prejuízos, sobretudo após a venda da usina de Cachoeira Dourada. “Não podemos comparar uma empresa que dá lucros com uma deficitária, como a Celg. Se vender esses ativos, a Sanego vai virar uma nova Celg. Não tenho dúvidas disso”.

Discurso afinado com o de Gustavo Sebba (PSDB). O parlamentar natural de Catalão diz que a Celg, com a venda de Cachoeira Dourada, deixou de ser uma produtora de energia e passou ser intermediária, sendo obrigada a comprar energia. O que acabou gerando prejuízos. Além disso ele salienta que no momento da venda, a empresa de energia já estava sob controle do Governo Federal.

“Enquanto a Celg estava dando prejuízos e se afundando ano a ano, a Saneago é superavitária”, diz. “Sou contra a abertura de capital. Mesmo que sejam 49% o governo vai dar uma abertura muito grande para a iniciativa privada, em uma empresa que dá lucros e, se bem gerida, pode aumentar sua receita”, arremata.

Outro lado

O governo, por outro lado, tem reforçado que não se trata de uma privatização, como foi com a Celg, afinal o Estado continua tendo controle sobre a maior parte, isto é, 51% da estatal. E que se trata apenas de uma forma de aumentar a arrecadação do Estado, por meio da abertura de mercado.

Além disso, de acordo com o presidente da Saneago, Ricaro Soavinski, a venda das ações irá fortalecer a companhia, que hoje atende 226 dos 246 municípios goianos e oferece serviço de esgoto e coleta em apenas 60% do total, necessitando de muito investimento para ampliar a oferta do serviço.

“Não tem que se falar em privatização, o governador já falou que não vai privatizar a Saneago mesmo com a pressão do Governo Federal para as privatizações. Poucos municípios são viáveis economicamente, e é por isso que não defendemos a privatização da Saneago. Tem que ter uma visão social e ambiental, não pode ser apenas econômica. Hoje, a companhia vive com o dinheiro dela, com o que tem de receita, não depende do Governo. O que estamos propondo é fortalecer a companhia abrindo o capital”, explicou.

 

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