Operação Lava-Jato: Taurus aparece pela primeira vez em delação premiada

Em acordo homologado pelo Supremo, Jorge Luz afirmou que ex-sócios da fabricante de armas pagaram propina

Foto: Reprodução

O lobista Jorge Luz afirmou, em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a Taurus pagou propina para uma conta sua na Suíça em troca de influência junto à Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que detinha 24,4% de participação na empresa. É a primeira vez que a fabricante de armas aparece em uma delação da Lava-Jato .

De acordo com o Ministério Público Federal, os repasses totalizaram US$ 1,9 milhão, feitos em 2011, e tiveram origem em contas no Panamá e nos Estados Unidos que seriam pertencentes aos antigos sócios da Taurus, Luís Estima e Fernando Estima — eles já deixaram a empresa. Após receber a propina, Luz relata que teria repartido os valores com o então presidente da Previ, Ricardo Flores, e o ex-deputado petista Candido Vaccarezza, hoje filiado ao Avante, na proporção de um terço para cada.

Entenda

De acordo com investigadores, Jorge Luz afirmou que conheceu pessoalmente o então acionista e conselheiro da Taurus, Fernando Estima, que é sobrinho do então controlador da empresa, Luís Estima. Na delação, Luz conta que a família Estima precisava implantar mudanças societárias na Taurus que precisariam da anuência da Previ, o que efetivamente ocorreu.

Jorge Luz relatou que procurou Vaccarezza para intermediar contato com Ricardo Flores, então presidente da Previ. Após obter o apoio do fundo de pensão, teria sido acertada a propina. O dinheiro pago no exterior teria sido trazido ao Brasil por operações com um doleiro. Segundo a delação, os pagamentos foram feitos em dinheiro vivo a Vaccarezza em São Paulo e a Flores no Rio.

A família Estima, que protagonizou intensas brigas societárias, deixou o controle da Taurus em 2015. A Previ se desfez da sua participação acionária em 2017.

Outro lado

Por meio de nota, a Taurus alegou desconhecer a acusação. “Seus atuais gestores e controladores desconhecem completamente os mencionados fatos. As pessoas referidas não são administradores e tampouco acionistas relevantes da companhia. Desde a mudança do controle em 2015, a companhia vem seguindo os mais rígidos e estritos padrões de conformidade”, afirmou.

O advogado de Luís e Fernando Estima, Alexandre Wunderlich, afirmou desconhecer as declarações e a existência de investigações a respeito. “As atividades empresariais sempre foram pautadas nas boas práticas de mercado e dentro dos parâmetros legais”, disse, em nota.

Ricardo Flores classificou de “mentirosas” as declarações de Jorge Luz, afirmou que não conhecia a família Estima e nem seus interesses na Taurus. “Jamais recebi vantagens indevidas”.

Já o advogado de Vaccarezza, Carlos Fauaze, afirmou que o ex-deputado “nunca pediu, aceitou, recebeu ou autorizou quem quer que seja a receber em seu nome vantagem, pagamento, benefício ou dinheiro de forma ilícita”. Disse que Luz criou “uma ficção para sustentar suas versões fantasiosas” e que o cliente está à disposição da Justiça “para provar sua inocência”. (Com informações de O Globo)

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