Operação flagra desmatamento e mineração em terras kalunga

Força-tarefa composta por Semad e forças policiais realizou inspeções em 24 pontos na região da Chapada dos Veadeiros para inibir destruição de matas nativas e atividades sem licenciamento ambiental

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), com apoio das forças policiais do Estado, atua, desde segunda-feira, 22, para conter o desmatamento ilegal de áreas nativas de Cerrado no município de Cavalcante. São 24 alvos de desmatamento que estão sendo fiscalizados na região, num total de 2.500 hectares, além de atividades de mineração sem licença.

Em uma das áreas, os fiscais chegaram enquanto um funcionário realizava a chamada “limpeza” da vegetação com um trator de esteira, na segunda-feira, 22. Mais de 170 hectares já haviam sido desmatados no local, vizinho ao território Kalunga. O maquinário pesado foi apreendido e a autoria da infração é do prefeito de Cavalcante, Josemar Saraiva Freire. Está sendo apurado a que título a autoridade ocupa a área, já que naquela região a imensa maioria das terras é de propriedade do Estado de Goiás.

Segundo o superintendente de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, Robson Disarz, que coordena as atividades, a operação foi desencadeada por análise de alertas e desmatamento oriundas de imagens processadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e também por denúncias, com suporte do serviço de inteligência da Semad.

“Constatamos pontos de desmatamento recentes e recebemos denúncias de que ações ilegais estariam acontecendo. Nossa pronta ação conteve danos maiores”, afirma. “Estamos preparando as autuações para todos os ilícitos”, completa.

Relembre

No último dia de junho, o Governo de Goiás deflagrou operação para apurar denúncias de desmatamento de 500 hectares de área virgem de cerrado no território tradicional kalunga, em Cavalcante. A região, embora esteja ligada à gestão do governo federal, tem atuação também estadual no que diz respeito à proteção do meio ambiente. Ao todo, o valor total da multa ficou em R$ 5.696.800,00 (cinco milhões, seiscentos e noventa e seis mil e oitocentos reais).

Após apurações, a proprietária do imóvel rural, Maria de Lourdes Hlebanja, e a suposta arrendatária na qual foi emitida a dispensa de licença, Apoena Mineração e Comércios Ltda., foram multadas em R$ 2.525.000,00 cada uma pelo desmatamento de 504,5 hectares, com agravamento por estar em território destinado a proteção de comunidades tradicionais.

Outras duas multas, no valor de R$ 115.000,00 cada, foram aplicadas pelo desmatamento de 22,9 hectares, com agravamento por estar em território destinado a proteção de comunidades tradicionais.

As áreas ainda foram embargadas pelas equipes da Semad.

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