Medicamento, feito à base de inibidores de apetite como a sibutramina, era fabricado em uma chácara na zona rural de Cachoeira Alta, mas comercializado no Brasil e no exterior

Operação Dieta Sadia, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e pela Polícia Civil, desarticulou uma associação criminosa que fabricava, distribuía e revendia remédios adulterados para emagrecer e que não continham autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo informações do MP-GO, o medicamento, feito à base de inibidores de apetite como a sibutramina, era fabricado em uma chácara na zona rural de Cachoeira Alta. No entanto, o produto era comercializado também em Paranaiguara e São Simão. Além disso, também se vendia o produto pela internet para outros Estados e, inclusive, para outros países.

Procedimentos

No dia 4 de dezembro, a Delegacia de Polícia de São Simão cumpriu mandados de busca e apreensão, resultando na prisão de 14 pessoas (11 delas em flagrante), apreensão de veículos, vultosa quantia de medicamentos ilegais, além de instrumentos utilizados em sua fabricação. Além dos inquéritos decorrentes das prisões em flagrante, foi instaurado outro para apurar, além do crime previsto no artigo 273, parágrafo 1-B, do Código Penal (falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais), o crime do artigo 2º, da Lei 12.850/12 (integrar organização criminosa), cometido, em tese, pelos representados.

Conforme apontado pelo Ministério Público, os envolvidos encapsulavam a substância e envasam em frascos de tamanhos diversos, rotulando as drogas como medicamentos fitoterápicos, supostamente compostos de raízes e ervas medicinais. De acordo com o apurado, as vendas eram realizadas por meio de um grupo do aplicativo de mensagens instantâneas e sítios de venda.

Na chácara utilizada pelo grupo foram encontrados diversos produtos empregados como matéria-prima para a fabricação clandestina e, inclusive, uma betoneira, utilizada para fazer a mistura dos ingredientes. Estiveram envolvidos na apuração dos fatos os promotores de Justiça Daniela Salge (Paranaiguara), Fabrício Lamas (São Simão) e João Marcos Andere (Cachoeira Alta).

Apreensão de valores

Segundo a investigação, o lucro obtido com as vendas era utilizado para a aquisição de bens e manutenção de outros negócios a fim de dissimular a origem ilícita do dinheiro, em possível prática de lavagem de capitais. Apurou-se também que os membros da organização criminosa possuem “laranjas” para movimentar o dinheiro obtido com a prática criminosa, valores de grande monta.

Ao pedir a prisão temporária dos envolvidos, o MP-GO manifestou a necessidade da custódia cautelar, já que eles estariam tramando subtrair valores supostamente escondidos no interior de veículo Porsche apreendido, bem como tumultuando as investigações, fazendo desaparecer elementos probatórios. De fato, comprovou-se a existência de mais de R$ 1 milhão no veículo.

Além do casal Zaidem Abi Jaudi Ferreira Filho e Patrícia Isabella Delmont Aquino Moreira, foram também foram presos temporariamente os investigados Douglas Freitas Carneiro, Robson da Silva Ferreira, Acácio Rodrigues da Silva, Gilvanete Custódio de Oliveira, Aderivaldo Lima Pereira, Maria Abadia Silva Pereira, Fabiana Aparecida Carneiro, Rodrigo Pereira de Lima, Gilmar Custódio de Oliveira, Vilmar Moreira de Oliveira, Roniclei Ramos dos Santos e Renato Simão dos Santos. Estão foragidos Wellington Pires da Silva e Norival do Nascimento.