A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira, 20, a Operação Última Milha para investigar a utilização indevida do sistema de geolocalização de dispositivos móveis por parte de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sem a devida autorização judicial. Em Goiás, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em Alexânia.

O uso ilegal teria ocorrido durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).

Além da cidade goiana, agentes federais executam outros 24 mandados de busca e apreensão, bem como dois mandados de prisão preventiva, e medidas cautelares diversas da prisão. As ações ocorrem nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e no Distrito Federal, com determinações do Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações revelam que o sistema de geolocalização empregado pela Abin é um software intrusivo na infraestrutura crítica da telefonia brasileira. A rede telefônica teria sido alvo de invasões reiteradas, utilizando-se do serviço adquirido com recursos públicos.

Além do uso irregular do sistema, apura-se o comportamento de dois servidores da agência que, diante da possibilidade de demissão em um processo administrativo disciplinar, teriam utilizado seu conhecimento sobre o mau uso do sistema como forma de coerção indireta para evitar a demissão.

Os suspeitos poderão ser responsabilizados, conforme suas participações, por crimes como invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, informáticas ou telemáticas sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados por lei.

Detalhes dos mandados:

  • 25 Mandados de Busca e Apreensão:
    • 17 no Distrito Federal (Brasília)
    • 1 em Goiás (Alexânia)
    • 2 em São Paulo (1 em São Paulo e 1 em São José dos Campos)
    • 2 no Paraná (1 em Curitiba e 1 em Maringá)
    • 3 em Santa Catarina (1 em Florianópolis, 1 em São José e 1 em Palhoça).
  • 2 Mandados de Prisão Preventiva: Distrito Federal
  • 5 Mandados de Afastamento: Distrito Federal

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