Obra de pavimentação entre Mimoso e Água Fria é alvo de investigação na Goinfra

Agência diz que asfalto aplicado está com elevado nível de deterioração e suspendeu fase final da obra, além de pedir laudo do serviço prestado. Empresa alega que alertou Goinfra que, com a paralisação, obra poderia sofrer danos por intempéries climáticas

Situação atual da rodovia GO-230 entre Mimoso e Água Fria | Foto: Goinfra

Uma obra contratada pela antiga Agetop, atual Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) para pavimentar um trecho de 51 quilômetros na GO-230 entre Mimoso de Goiás e Água Fria é alvo de investigação.

O contrato celebrado entre o órgão na gestão passada e a empresa Terra Forte Construtora LTDA é alvo de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na Goinfra, e de investigações na Polícia Civil e Ministério Público de Goiás.

Isso porque dos 51 quilômetros, 44 foram concluídos e ainda restam sete para finalização do contrato. As obras foram paralisadas no dia 31 de outubro de 2018 (foto abaixo). De acordo com a Goinfra, em virtude do cancelamento de empenhos.

Segundo o presidente da agência, Pedro Sales, a obra não foi retomada pela atual gestão uma vez que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria Geral do Estado (CGE) apontaram graves irregularidades no contrato.

Ainda que a obra não tenha sido concluída, ela já custou aos cofres públicos mais de R$ 65 milhões, valor bem acima do contratado inicialmente: R$ 56 milhões. Os aditivos que elevaram o valor da obra estão sendo investigados pela Polícia Civil e Ministério Público.

Já os 44 quilômetros pavimentos sofrem com elevado nível de deterioração e dificultam a vida de quem precisa passar pelo local. Segundo a Goinfra, estão sendo feitas tratativas com o segundo colocado na licitação e a obra será concluída ainda em 2020.

Diante das suspeitas de irregularidades, o pagamento do restante devido para conclusão da pavimentação foi suspenso. De acordo com a Goinfra, a decisão da suspensão do pagamento segue determinação constante em dois pareceres da PGE e um parecer da CGE.

Diante da acusação da empresa de que o dinheiro estaria retido nas contas da Goinfra, o presidente da Pasta esclareceu: “A obra apresenta defeitos graves e esse recurso está retido cautelarmente por determinação da PGE e CGE para assegurar o ressarcimento do prejuízo suportado pelo Estado”, disse Sales.

O que diz a empresa: o outro lado

A reportagem entrou em contato com o proprietário da empresa Terra Forte Construtora LTDA, Carlos Eduardo Pereira da Costa. Ao Jornal Opção, Carlos disse que a obra foi paralisada pela atual gestão, em janeiro de 2019, e que foi alertada que, por estar inacabada, poderia sofrer danos por intempéries climáticas.

“Como não obtivemos resposta da Goinfra, solicitamos a interferência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), para que o mesmo tomasse as providencias com relação a obra paralisada mesmo estando com dinheiro depositado em conta pela BNDES”.

Ainda segunda a empresa, a obra poderia ter sido concluída em julho de 2019, não fosse os “desmandos da Goinfra”.

De acordo com Carlos, a empresa tem mais de R$ 8 milhões para receber, valor que já estaria atestado e liquidado na Goinfra desde dezembro de 2018.

“Pasmem, o dinheiro do BNDES está parado na conta desde esta data, esse dinheiro não pode ser utilizado para outra finalidade a não ser pagar as faturas da obra. Existe ainda R$ 2,9 milhões de serviços realizados aguardando medição”, afirmou Carlos.

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