OAB Forte critica discussão de situação financeira da Ordem: “Advocacia continua abandonada”

Flavio Buonaduce defendeu que contas sejam tratadas com transparência, mas cobrou resolução dos problemas dos advogados. Para ele, poucas ações concretas foram feitas

| Foto: Alexandre Parrode

Buonaduce também negou que OAB Forte tenha deixado Ordem com dívidas | Foto: Alexandre Parrode

O debate sobre a situação financeira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi reaceso nesta quinta-feira (19/8) com a divulgação de um relatório da Marol Auditoria e Consultoria que apontava um superávit de R$ 5,4 milhões na entidade. Segundo o ex-presidente da OAB, Enil Henrique, o parecer desmentiria as afirmações de Lúcio Flávia de Paiva, que ocupa o cargo atualmente, de que a OAB teria dívidas que superavam os R$ 23 milhões.

Em resposta, Lúcio Flávio reafirmou a denúncia de insolvência da Ordem argumentando que a auditoria da Marol não considerou diversos documentos relativos à contabilidade da entidade. Ele disse ainda que Enil convenientemente ignorou as ressalvas feitas pela empresa, que aponta no relatório alguns pontos, que superam os R$ 30 milhões, sobre o qual não podia dar nenhum parecer por falta de informações.

Pouco antes da coletiva com Lúcio Flávio, a própria Marol emitiu nota dizendo que seu parecer não podia ser utilizado para dizer que a situação financeira da OAB estava regular. Assinado por Cássius Pimenta, auditor e sócio da empresa, o comunicado afirma: “O resultado de nosso trabalho de auditoria independente não enseja a afirmação da qualidade da situação financeira ou patrimonial da OAB Goiás”.

Ao Jornal Opção, o advogado e membro da OAB Forte, Flavio Buonaduce, questionou a continuidade da discussão entre os grupos que disputaram a última eleição. Para ele, a questão maior em toda a briga em torno das contas são as ações em prol da advocacia goiana, pauta que deve superar as questões financeiras.

Buonaduce defendeu que as contas sejam realmente tratadas com transparência, mas lamentou o cenário que, na sua opinião, mostra poucas ações efetivas em favor dos advogados. “O que nos deixa muito preocupados é que de novo está se discutindo um problema eleitoral, sendo que a advocacia continua abandonada”, opinou.

“É importante discutir a situação real financeira, mas números não dão possibilidade de dupla interpretação. Independente de ter ou não dinheiro, e tem, é discutir as ações que a Ordem pode tomar em relação à advocacia”, disse Buonaduce. “Isso parece menos uma questão de transparência do que uma briga eleitoral”.

Ele também comentou as acusações, feitas no início do ano, de que parte da dívida teria sido deixada pela gestão de 2014, ou seja, de Henrique Tibúrcio, da OAB Forte. “Isso é um equívoco. Tem que deixar muito claro que são administrações distintas. Ele tentou colocar na mesma conta a administração do Enil com a da OAB Forte e, segundo o Henrique, as contas da Ordem estavam em dia, inclusive já haviam sido aprovadas pelo Conselho”, argumenta.

“Depois que o Enil assumiu a presidência a gente perdeu o controle, a maior parte do que nós sabemos chega por parte da imprensa, a única coisa de que temos conhecimento é de que houve um pedido de auxílio do Enil”, diz. Na quinta-feira, o pedido de aporte ao Conselho Federal feito por Enil também foi questionado por Lúcio Flávio: “Uma entidade em situação superavitária precisaria pedir auxílio?”.

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