“O SUS precisa de recursos e não vai sobreviver aos próximos meses”, afirma o presidente do Conass

Carlos Eduardo Lula, entregou ao secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, um ofício assinado em conjunto com o presidente Conasems, Wilames Freire, solicitando aporte financeiro para o Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento à Covid-19

Durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), nesta quinta-feira, 27, para discutir novas estratégias para a Campanha Nacional de Vacinação contra a Covid-19, o presidente do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass), Carlos Eduardo Lula, entregou ao secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, um ofício assinado em conjunto com o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Wilames Freire.

O documento solicita ao Ministério da Saúde aporte financeiro para o Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento à Covid-19. “É chegada a hora de termos esse aporte da união porque a gente não consegue mais caminhar sozinho. É dramática a situação que os estados vivem. Podemos viver uma grave crise nos próximos 30 dias. É um ofício em para sensibilizar a área econômica e o Congresso Nacional para que possamos ter recursos para enfrentar a pandemia. O SUS precisa de recursos para ontem. Historicamente subfinanciado e não vai aguentar os próximos meses se não tiver uma ajuda”.

Segunda Carlos Eduardo Lula, outro ofício foi elaborado em março e destinado ao ministro Marcelo Queiroga. “Embora compreendemos as razões fiscais do Brasil e a dificuldade da política econômica, é fundamental despolitizar a necessidade de dinheiro do SUS. Vivemos um dos piores momentos da pandemia, são quase dois mil mortes por dia, com 18 estados com mais de 80% de ocupação dos leitos de UTI, os estados estão esgotados e os municípios também. Os números que temos da pandemia não nos orgulha, eu diria, não são apesar do SUS, mas o contrário, eles poderiam ser ainda piores se não fosse o SUS””

Para o presidente do Conass, o surgimento do SUS rompeu com o modelo de política pública centralizadora, antidemocrática e trouxe para o campo de decisão instâncias que não eram ouvidas, no caso, os munícipios e os estados. “O SUS criou participação da sociedade civil e as CIBs (Comissão Intergestores Bipartite), onde a gente escuta quem está na ponta; criou os conselhos de saúde, espaços democráticos e de deliberação”.

Comparado com outros sistemas universais de saúde, o Brasil tem menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) investido em saúde pública, apesar do SUS ser responsável por cuidar de 70% dos brasileiros. “É fácil falar para 30% do Brasil que não depende do Sistema Único de Saúde e que, contraditoriamente, possui mais recursos do que os outros 70%. Temos muitos problemas em razão disso, com a falta de financiamento histórico que nunca conseguiu ser resolvido”.

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