O regime iraniano está ferido, mas ainda tem poder de fogo capaz de incendiar o Oriente Médio
09 março 2026 às 19h00

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A guerra no Oriente Médio entrou na segunda semana, no último domingo, 8, a campanha marcada por ataques incessantes contra alvos do regime iraniano, fraturou a liderança da República Islâmica, que agora tem dificuldades em concluir decisões estratégicas e transmitir diretrizes militares ao contingente espalhado pelo país.
Israel confirmou, hoje, a morte do general iraniano, Abolghasem Babeiam, que, ontem, foi indicado secretário militar do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. De acordo com os israelenses, ele morreu em Teerã, após novos bombardeios contra o quartel general da Guarda Revolucionária. Como novo comandante militar diretamente ligado ao líder supremo, Babeian iria se tornar o segundo homem mais poderoso do regime, já que também era o comandante da unidade, Khatan-al Anbiya, a SS dos aiatolás, a força de comando mais poderosa do Irã. Ele era o responsável por coordenar as ações militares contra Israel, além de ser o principal operador das missões emergenciais, preparadas para garantir a sobrevivência do regime.
Ao ser eliminado, o general fica marcado como a segunda pessoa a assumir o mesmo cargo em menos de duas semanas. Seu antecessor, Mohammad Shirazi, morreu, juntamente ao o ex-líder supremo, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no primeiro dia do conflito. A dupla eliminação de militares do alto-escalão da Guarda Revolucionária demonstra a capacidade do serviço de inteligência israelense de penetrar nas áreas mais restritas e bem guardadas da República Islâmica.
A continuidade dos bombardeios das forças de Israel e dos Estados Unidos, além da promessa de expansão das ações militares, levanta a seguinte questão: O Irã teria capacidade de defesa para deter a campanha militar dos aliados? E caso não tenha, a liderança do regime poderá partir pro “tudo ou nada”e usar armamentos que ainda não foram apresentados no conflito?
Talvez, mas aparentemente o regime já mostrou as armas que deve usar nos combates. O lançamento, recente, de quatro mísseis Kheibar, pode ser que represente as últimas cartas do arsenal avançado do exército iraniano. É claro que o regime ainda tem poder de fogo que possa desafiar os aliados e os países do Golfo por algum tempo, mas não tem capacidade nuclear operacional que poderia ser usada, assim como armas químicas.
As duas possibilidades sobre o uso de armas letais,já foram descartadas, em parte pelo banimento imposto pelo ex-líder supremo, Ali Khamenei, sobre este tema. No entanto, ainda persiste o receio sobre o lançamento de uma “bomba suja”,que não é uma arma nuclear, mas uma bomba carregada de material radioativo, no cenário de guerra. Mas o Irã sabe que, o uso desse tipo de armamento será um suicídio militar que vai levar ao fim do regime, porque a retaliação seria de força total.
São os ataques aos países do Golfo, as cartas que o Irã ainda tem na manga. É este, o poder de manobra do regime iraniano neste conflito, ao escalar a tensão por toda região bombardeando os países do Golfo. A possibilidade de atingir usinas de dessalinização e instalações da indústria petrolífera, interrompendo a produção de água potável, óleo e gás de países como os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, poderá elevar o preço da energia global à patamares inimagináveis. Ao mesmo tempo, Teerã pode pressionar os Houties, grupo extremista do Iêmen, a uma maior participação na guerra, intensificando a pressão sobre Israel e o Golfo.
Apesar das ameaças de Teerã, o Irã não aparenta possuir armamentos em seu arsenal que possam mudar as regras do jogo, mesmo assim, o regime ainda tem armas que lhe garantem manter o atual cenário de fogo cruzado, principalmente contra Israel. Por isso, não se pode afirmar que a ameaça iraniana foi neutralizada. Porém, mais do que Israel, são os países do Golfo que vão pagar um preço alto caso a guerra continue. A escalada do conflito deverá forçar a entrada do mundo árabe na disputa, e dar início à uma guerra sectária religiosa entre sunitas e xiitas.
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