O ladrão que dividia dinheiro com os pobres e pode ser “exemplo” para políticos brasileiros

Gino Meneghetti era um larápio contumaz. Mas tinha uma ética: não roubava dos pobres, só dos ricos

A corrupção no Brasil criou tantos tipos de ladrões que, a rigor, eles se tornaram como que inclassificáveis.

Vamos imaginar o maior ladrão de todos os tempos de São Paulo para julgá-los, aconselhando-os se for o caso. Este ladrão era nascido na Itália, viveu nada menos do que 98 anos, nunca roubou de alguém pobre e também não praticava violência. Seu nome era Gino Meneghetti.

Gino Meneghetti: larápio? Sim, mas certa ética | Foto: Reprodução

Pois esse Meneghetti passou a infância em região de belas paisagens, a Toscana, onde o sol cria cenários magníficos e o Rio Arno inspirou artistas plásticos, como Leonardo da Vinci, e compositores, como Giacomo Puccini.

De família pobre, Meneghetti começaria a roubar ainda criança, continuaria a roubar adolescente e jovem, depois adulto, e assim em diante, e continuaria a fazer isto assim que seu pai decidiu trazer a família para o Brasil, no começo do século 20.

São Paulo estava começando a exibir uma parte residencial de muitas casas de ricos, e Meneghetti conseguia penetrá-las, roubando-as com facilidade, tornando-se uma espécie de artista dessa categoria.

Prendiam-no, mas não conseguiam mantê-lo na cadeia, pois era artista também em fugir. Dividia o roubo com pessoas pobres.

Essa singular personalidade de Meneghetti o deixaria portanto apto a ministrar aos corruptos de hoje do Brasil uma espécie de lição moral. Como se transmitisse uma espécie de regra, uma norma de conduta, de modo tal que esses ladrões de hoje prejudicassem menos as pessoas pobres.

Meneghetti diria a esses incríveis ladrões que não se pode cometer o crime de roubo apenas pelo crime, e que é necessário, sempre, fazer com que outras pessoas se beneficiem. Uma espécie de lei de Robin Hood.

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