Faltando pouco para a disputa da Copa do Mundo de 2026, o sentimento em torno da Seleção Brasileira ainda oscila entre a desconfiança recente e a esperança histórica. Eliminações traumáticas, trocas constantes de comando e um ciclo de reconstrução deixaram cicatrizes.

Ainda assim, há motivos consistentes, e nada fantasiosos, para acreditar que o Brasil pode, sim, chegar forte e disputar o hexacampeonato. Não se trata de ufanismo, mas de leitura realista do cenário.

Diferentemente de ciclos anteriores, o Brasil chega a 2026 com seus principais jogadores vivendo o auge técnico e físico. Atletas que estrearam muito jovens na seleção agora acumulam experiência internacional, títulos de clubes e vivência em jogos decisivos.

Essa maturidade costuma fazer diferença em Copas do Mundo, torneios curtos nos quais o controle emocional pesa tanto quanto o talento. Não é um time em formação, é um time pronto para decidir.

Aliado a isso, a chegada de Carlo Ancelotti pode agregar e muito. Apesar do treinador não ter experiência com seleções e, obviamente, em copas, é o técnico mais vitorioso por clubes, ídolo em grandes times como Real Madrid e Milan, os dois maiores campeões da Europa.

Talento ofensivo como poucos no planeta

O Brasil talvez não tenha hoje um “camisa 10 clássico” nos moldes antigos, mas compensa isso com um elenco extremamente versátil no ataque. Jogadores rápidos, dribladores, capazes de atuar em mais de uma função e com alta capacidade de decidir em espaço curto.

Em Copas recentes, seleções campeãs não dependeram de um craque único, mas de sistemas ofensivos móveis e imprevisíveis. Nesse quesito, o Brasil está entre os mais bem servidos do mundo.

Quase todo o elenco brasileiro atua ou atuou no mais alto nível do futebol europeu. Isso significa convivência diária com pressão, exigência tática e decisões rápidas.

Ao mesmo tempo, a Seleção tem buscado, ainda que lentamente, resgatar características históricas: intensidade, improviso e coragem ofensiva. Se encontrar equilíbrio entre disciplina tática e criatividade, o Brasil pode se tornar um time extremamente difícil de ser neutralizado.

O novo formato pode ajudar

A Copa de 2026 terá 48 seleções e um formato mais longo. Isso tende a favorecer elencos profundos, com opções de qualidade para rodar o time sem perder nível técnico.

Historicamente, esse sempre foi um dos pontos fortes do Brasil: quantidade de jogadores decisivos disponíveis. Além disso, o torneio será disputado em três países, com logística complexa e desgaste físico maior, outro cenário em que elenco amplo pesa.

A camisa ainda pesa (e muito)

Pode parecer argumento subjetivo, mas não é. Em Copas do Mundo, história conta. A Seleção Brasileira entra em campo carregando cinco títulos, dezenas de campanhas memoráveis e uma mística que nenhum outro país possui.

Adversários respeitam, às vezes temem, o Brasil. Em jogos decisivos, isso influencia postura, estratégia e até escolhas dentro de campo. Além disso, nas bolsas de aposta, o Brasil aparece atrás apenas de Espanha, Inglaterra e França, respectivamente, como favorito ao título.

Pessoalmente, vejo os ingleses inferiores. Talvez o maior desafio da Seleção até 2026 seja fora das quatro linhas: estabilidade no comando técnico e clareza de projeto.

Se houver continuidade, confiança no trabalho e escolhas coerentes, o Brasil tem todas as ferramentas para competir de igual para igual com qualquer seleção. Não é favoritismo automático. Mas também não é ilusão.

Em 2026, o Brasil pode não chegar como o time mais badalado. Pode, porém, chegar como um dos mais preparados. E, em Copas do Mundo, isso costuma ser suficiente para levantar a taça.

Porque, no fim das contas, o Brasil talvez não precise voltar a ser o melhor futebol do mundo. Basta voltar a ser competitivo quando realmente importa.

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