Nunca foi o modelo de trabalho, mas quem manda
26 janeiro 2026 às 17h21

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A discussão aqui não é se o modelo remoto ou presencial é o melhor, mas qual deles é mais funcional para nossas vidas. Para qualquer empresa, o presencial garante onboarding, cultura e controle. Já para o trabalhador, o remoto evita o deslocamento, garante mais tempo e melhora a qualidade de vida.
Mesmo assim, você já percebeu que o híbrido virou obrigatoriedade? Há pouco mais de dois anos, a média global de trabalho remoto ficou em cerca de 1,30 dia por semana entre os países pesquisados, depois de cair desde 2022 e se estabilizar, o que demonstra que não voltou ao pré-pandemia, mas também não se tornou um trabalho “eternamente em casa”. O mercado parece estar travado em um meio-termo. No entanto, não se fala mais em flexibilidade. O termo correto passou a ser “presença mínima”. Isso porque alguém “provou” que o home office falha. De 2020 a 2022, a produtividade, de acordo com estudos, indicou estabilidade no trabalho remoto.
De acordo com a USP (Universidade de São Paulo), trabalhadores 100% remotos têm 35% menos chances de promoção, mesmo que a entrega seja a mesma dos trabalhadores presenciais. Isso porque o trabalho até acontece, mas se torna invisível quando é realizado de casa. Ao mesmo tempo, foi observado que, quando o escritório esvazia, o poder se dispersa. A liderança acaba acontecendo pelo telefone.
A discrepância nunca foi conforto versus desempenho, mas visibilidade e controle versus autonomia e qualidade de vida. O home office acabou expondo às empresas o incômodo de constatar que muitas coisas funcionam não por eficiência, mas por vigilância e, quando esta enfraquece, o sistema reage.
Abaixo alguns dados que vão te ajudar entender porque não dá mais pra trabalhar somente de casa:
- Ocupação média semanal de escritórios nos EUA chagou a 75% ( Univ. Staford);
- A Microsoft anunciou apenas dois dias de faseamento em 2026;
- A Amazon anunciou que o período de três dias reforçou a convicção do presencial;
- Aqui no Brasil a preferência pelo trabalho “remotizável” ainda é híbrida com tendência maior ao presencial (IBGE);
- A Google pressiona que o trabalho híbrido seja realizado perto da empresa ou a opção é o desligamento;
- A Meta pede presença de três vezes por semana e ameaça medidas disciplinares em caso de descumprimento da regra;
- O que as gigantes do mercado indicam é que pretendem redesenhar a psicologia do trabalho. A Amazon, por exemplo, chegou ao extremo com 5X0 e argumenta mais colaboração aliada à invenção indicando o fim da ambiguidade, já a falta de flexibilidade dá lugar à exceção e não se torna um padrão;
- Outras empresas como a Meta, Microsoft, tão grandes ou maiores, por enquanto ainda preferem o caminho do meio, mas a direção é a mesma, exigindo que a presença mínima já deixou de ser sugestão. O “remoto” tornou-se quase intolerável pelas empresas que alegam que se o colaborador está fora do eixo físico tende a perder projetos, promoções e visibilidade. Um indicativo claro e significativo de que, por enquanto, o “híbrido”ainda está vivo porque é preciso manter gente trabalhando, o que reduz a fuga, mas principalmente coloca as empresas de volta ao comando.
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