“Nunca foi apresentando de forma consistente uma possibilidade de subversão do sistema eleitoral brasileiro”, afirma doutor em segurança da informação

De acordo com o professor e pesquisador, Willian Divino Ferreira, a mudança no sistema eleitoral com o voto impresso pode causar muito mais problemas do que soluções, e não acrescenta nenhuma camada de segurança, além das que já estão previstas

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem insistido na tentativa de implementação do voto impresso auditável para as eleições de 2022. O chefe do executivo coloca em suspeita as urnas eletrônicas e tem gerado conflito entre os Poderes. No ataque a democracia, instituições e autoridades, Bolsonaro sinaliza impedir a realização das eleições no ano que vem caso a medida não seja implementada no Brasil.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já esclareceu que as urnas eletrônicas são auditáveis e existem ao menos 10 recursos que possibilitam a fiscalização, entre eles o registro digital do voto; o log da urna eletrônica; auditoria dos códigos-fonte; identificação da biometria do eleitor, entre outros.

Tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de autoria da deputada Bia Kicis (PSL), que estabelece o retorno da cédula de papel. O presidente e seus apoiadores argumentam que essa seria uma modalidade mais “transparentes” das eleições. O texto foi aprovado na CCJ no primeiro semestre deste ano, mas enfrenta barreiras na tramitação até de outros aliados do presidente no Congresso.

Para o pesquisado e professor, Willian Divino Ferreira, doutor em engenharia elétrica de computação voltada a segurança da informação, a discussão não faz sentido. “A urna utiliza de mecanismos e criptografia seguros. A urna eletrônica é apenas uma parte do sistema eleitoral. No sistema como um todo nunca se observou realmente uma apresentação pública de fraude. É um sistema bastante seguro”.

O profissional esclarece que no sistema atual com a utilização da urna eletrônica não há nenhum tipo de conexão com a internet e não está ligada a uma rede de computadores, impedindo atuação de hackers. “Se existe uma possibilidade de subversão do sistema nunca foi apresentando de forma consistente. Não tem embasamento técnico para essa discussão. É um sistema complexo e robusto. E o mais moderno do mundo”.

Caso aprovada a mudança no sistema eleitoral brasileiro, o doutor em segurança da informação diz que irá cair o nível das nossas eleições. “As impressoras são dispositivos eletromecânicos que apresentam problemas reiteradas vezes. Tecnicamente não é viável. Isso vai tumultuar as eleições e gerar mais contestações da possibilidade de fraude”.

De acordo com o pesquisador, a mudança pode causar muito mais problemas que soluções, e não acrescenta nenhum item de segurança, além dos que já estão previstos. “Temos mais de 30 camadas de segurança na urna eletrônica. O fato de colocar o voto impresso não acrescenta nenhuma camada a mais de segurança, nem mesmo de auditoria. Apenas tornaria o processo eleitoral mais confuso. isso não seria benéfico para a democracia brasileira, trazendo mais dúvidas do que relevância e segurança ao processo”.

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