Novo secretário reúne-se com superintendentes para discutir situação da Saúde em Goiás

Ismael Alexandrino foi recebido pelo atual titular da SES-GO, Leonardo Vilela, e recebeu diagnósticos de servidores da pasta

Foto: Sebastião Nogueira/ SES-GO

Escolhido para comandar a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), o médico Ismael Alexandrino reuniu-se, na manhã desta sexta-feira, 21, com o atual secretário, Leonardo Vilela, e com todos os superintendentes e gerentes da pasta para receber balanços do trabalho desenvolvido nos últimos anos.

Na sede da secretaria, em Goiânia, foram apresentados dados sobre o orçamento, investimentos e gastos de cada setor, bem como com as dez organizações sociais que gerem 20 unidades estaduais de Saúde. Os técnicos detalharam também projetos e programas, como de combate às drogas, de saúde da família e transplantes de órgãos.

“Foi um encontro muito produtivo. Deu para ter uma visão geral da secretaria do ponto de vista da gestão atual, das dificuldades que enfrentaram, das possibilidades de avanço, e também para conhecer os servidores. Deu para perceber um pouco mais a realidade do cenário inicial que vamos encontrar”, explicou o próximo secretário.

Desde que foi indicado pelo governador eleito Ronaldo Caiado (Democratas), Ismael Alexandrino tem se aprofundado na estrutura administrativa da secretaria e na situação financeira que enfrentará a partir do ano que vem.

Atualmente, há uma dívida na ordem de R$ 260 milhões com as organizações sociais, além de passivo com fornecedores e prestadores de serviço. A expectativa é que a quitação de tais débitos ocorra ainda neste ano, como parte de compromisso firmado pela gestão José Eliton (PSDB).

“Foi possível ter uma percepção que teremos um desafio muito grande para equalizar as contas. Além de um financiamento que nem completa o duodécimo, apesar de que há a promessa de completá-lo, mas, para além disso, devem nos ser repassadas dívidas e precisaremos investir nas unidades que estão em conclusão, que precisarão ser custeadas”, destacou.

O atual governo deixará pelo menos três hospitais regionais (Uruaçu, Águas Lindas de Goiás e Santo Antônio de Goiás) e seis Unidades de Saúde Especializadas, as USEs, (Formosa, Cidade de Goiás, São Luís dos Montes Belos, Quirinópolis, Posse e Goianésia) não concluídos ou sem funcionar.

“Há uma previsão de R$ 200 milhões somente em custeio para o ano que vem, assim que as unidades forem sendo entregues. Não serão todas que serão concluídas em 2019, mas certamente durante a próxima gestão concluiremos todas”, asseverou.

Justiça e Saúde

Durante a reunião, a procuradora Marcella Parpinelli Moliterno levantou uma questão que será central para a próxima gestão da SES-GO: a chamada judicialização da Saúde. Segundo dados da própria secretaria, foram gastos, somente em 2018, cerca de R$ 100 milhões com fornecimento de medicamentos por determinações judiciais.

“Além de entendermos que precisamos ampliar o diálogo com os órgãos de controle, sobretudo com o Ministério Público, pudemos perceber claramente como isso impacta no orçamento da secretaria”, reconheceu o próximo secretário.

Alexandrino alertou que tais determinações da Justiça podem, em alguns casos, afrontar os princípios da economicidade (artigo 71 da Constituição Federal) da impessoalidade (artigo 37) e um dos princípios do Sistema Único de Saúde, que é o da equidade.

“Não dá para excluir esse problema, precisamos encará-lo de frente, dialogar com a Defensoria e o Ministério Público e buscar medidas cabíveis que deem sustentabilidade ao SUS, cujo financiamento não é fácil por si só. Se não houver entendimento entre todas as partes envolvidas, certamente fica mais difícil de ser gerido, mais oneroso, e a médio e longo prazo vai prejudicar ainda mais a população”, acrescentou.

Vagas

Outro ponto debatido pelo futuro titular da SES-GO foi a questão da regulação das vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado. Motivo de desavença entre o atual governo e a Prefeitura de Goiânia, o tema será tratado de forma “profícua e colaborativa” pela nova gestão estadual.

“Quando há disputa de forças, certamente quem sai perdendo e quem mais sofre é a população. Então nossa intenção é manter diálogo com todas as secretarias municipais. No que depender de mim, a secretária Fátima [Mrué, de Goiânia] terá um grande parceiro e espero encontrar nela guarita para fazer uma grande gestão”, disse.

No começo da semana, Ismael Alexandrino reuniu-se com a titular da Secretaria Municipal de Saúde da capital e discutiu longamente a questão da regulação. O encontro serviu para estreitar o relacionamento entre Estado e município e indica que haverá uma mudança nas tratativas sobre a questão.

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Nelson P. Barbosa

A solução da saúde passa por UBS mais resolutivas, aparelhagem, profissionais gabaritados, dedicação de todos. Governo e funcionários devem vestir a mesma camisa e falarem a mesma lingua. Sobrará vagas até nas UTIs.

Vinicius

A resolução também passa por uma maior regionalização da saúde e ampliação dos serviços de alta complexidade no interior