O futuro governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bate cabeça para conciliar gastos acima do orçamento definido pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) juntamente com o Congresso Nacional, para 2023, e a redução de arrecadação. Além disso, há a regra de ouro que não se pode quebrar: o teto dos gastos.

O petista prometeu manter em R$ 600 o benefício pago a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, o programa é chamado de Auxílio Brasil, antes era Bolsa Família. Pelo orçamento para o ano que vem, o benefício está cotado em R$ 405. Por outro lado, Lula quer reduzir a cobrança de impostos de renda, que passaria a ser cobrado para aqueles que recebem acima de R$ 5 mil. Para tanto, a equipe de transição, coordenada pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckimin, propõe, semelhante a Proposta de Emenda a Constituição (PEC) nº 123/22, a Kamikaze, uma proposta para ‘furar’ o teto de gastos.

Outro problema para o governo é a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) dos Estados, por exemplo, sobre combustíveis. Outra proposta de impacto econômico é o reajuste do salário mínimo. O senador eleito Wellington Dias (PT-PI) antecipou que o reajuste do mínimo deve ficar entre 1,3% e 1,4%. O cálculo é feito com base na média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos cinco anos. No entanto, a proposta orçamentária é que cada R$ 1 acima de R$ 1.302 implica em gastos adicionais de R$ 370 milhões ao Estado.

Para o professor de economia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Tiago Camarinha, desde que a economia brasileira volte a crescer mesmo com redistribuição de renda, todas as promessas para o novo governo podem ser cumpridas com responsabilidade. “O grande desafio é que há uma crise internacional, afetando todos os países ocidentais de modo intenso”, afirma.

Para ele, o Brasil precisa voltar a protagonizar os debates e articulações entre os países, para ajudar a encontrar uma saída para a situação econômica. “Os governos Lula e Dilma mostraram um histórico de excelente interlocução externa, por isso as perspectivas de o Brasil ajudar o mundo a sair da crise são boas. Porém nenhuma solução internacional será possível com a ausência da China”, indica.