Novo estudo de impacto de vizinhança do Nexus não tem relatório de trânsito

Audiência pública para discutir novos estudos, além de negligenciar população, não tem efeito sobre decisões no empreendimento

A Prefeitura de Goiânia promoveu nesta segunda-feira (27/11) audiência pública para discutir o novo Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) que vem sendo elaborado pela Consciente JFG Incorporações para a construção do Nexus Shopping & Business. A apresentação do documento foi feita pela empresa Master Ambiental.

A “discussão” foi criticada por entidades presentes na sede do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias de Goiás (Secovi Goiás), na Avenida Fued Sebba, no Setor Jardim Goiás, endereço bem distante do local de construção do Nexus, que vem sendo erguido no entroncamento das Avenidas D e 85, no Setor Marista.

Entre os pontos levantados após a audiência, está a ausência de um estudo de impacto de trânsito, em um período em que a obra já está bastante adiantada. No fim da apresentação, a vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Maria Ester, criticou que não se investigue os efeitos em um área que já é congestionada mesmo antes da conclusão do prédio.

“Não faz sentido um estudo de impacto de trânsito depois que a obra estiver pronta. Ali, não é só o Nexus, outros edifícios geram e vão gerar impacto, é um efeito onda”, reclamou.

Segundo um representante da empresa que realizou o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), o estudo será feito apenas em uma próxima etapa.

O morador Humberto Roriz, do residencial Itatiaia, que fica a poucos metros do empreendimento, desabafou a respeito da situação. “Ali, o trânsito já não tem área de escape. Com os colégios da região, demoro áreas para levar minhas filhas na escola que fica a 10 quadras dali”, disse.

Humberto também pontuou a relevância da audiência pública diante do avanço das obras. “Aqui não modifica nada, vou apenas deixar meu depoimento registrado para que, quem sabe, influencie em outras decisões no futuro”, reclamou.

A falta de poder de mudança da audiência foi, inclusive, reconhecida pelo superintendente de planejamento da Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh), Henrique Alves. “O objetivo da audiência é apenas informar a população”, frisou.

A apresentação do EIV também foi criticada por Regina Faria de Brito, conselheira do CAU-GO. “O EIV deve existir para cumprir seu papel e não para justificar o empreendimento”, disse.

Segundo ela, o empreendimento da região possivelmente irá atrair mais pessoas que o Setor Oeste e Marista apresentam atualmente no total.

Falta de moradores

A reportagem identificou ainda apenas alguns moradores da região no encontro desta segunda. Maria Ester lamentou o fato da audiência pública ter negligenciado a população que será afetada diretamente pelo monstruoso empreendimento.

“A audiência está prevista na lei do Estatuto da Cidade, mas, pelo que estou vendo, esta não é uma audiência para a população. Estamos fora do raio de abrangência de impacto do edifício e há poucos moradores presentes”, lamentou.

A realização de audiência pública é uma das prerrogativas previstas em Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o MP, prefeitura e Consciente JFG Incorporações que garantiu não só o prosseguimento da obra — que chegou a ser paralisada pela Justiça — como deu prazo de seis meses para a apresentação de um novo Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).

O promotor de Justiça Juliano de Barros Araújo, que assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a Consciente JFG Incorporações e a Prefeitura de Goiânia, não estava presente na audiência.

2 Comment threads
1 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
3 Comment authors

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Vinicius Alfa

Vale destacar também, que moradores da região em depoimento, parabenizaram a construtora por não estar causando transtornos, fazendo a alusão que os materiais são entregues pelo Céu. Faltou destacar também, o comentário de outro morador, parabenizando o empreendimento pela quantidade de vagas de emprego que ele irá gerar.
Estão de parabéns Jornal Opção, isso que é verdadeiramente um jornalismo independente.

Artur

E se não aprovar o andamento das obras? Fica para a população e para o entorno do bairro os esqueletos abandonados e deteriorados? Já que iniciou a obra não seria melhor concluí-la? Por que não foi barrado o projeto antes do início das obras? Garanto que uma cidade fica ainda pior e mais feia com obras abandonadas.

Miroslav Markor

Artur, a obra está em andamento, e em hipótese alguma deverá ser parada por esses parasitas imundos. Em Nova York construíram um edifício muitíssimo mais alto que esse Nexus em uma rua de uma mão, em uma época que nem existia metrô (Empire State), e ninguém reclamou. Já aqui nessa República do Bananil, essa mídia suja esquerdista junto com um bando de desocupados fazem tudo para tentar parar o progresso. Só querem saber dos seus carros, desconsideram o avanço econômico, a vitalidade urbana e os serviços que uma obra dessa trará para a cidade. De qualquer forma, Nexus está em… Leia mais