Novo encontro do Fórum de Governadores do Brasil Central foca em infraestrutura e logística

Com presença do presidente do BNDES, e dois novos estados no bloco, governadores discutem integração na questão de escoamento de produção

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Com discurso comum, governadores defenderam medidas do Fórum para superação da crise | Foto: Divulgação

O Fórum Brasil Central realiza, desde quinta-feira (3/3) até esta sexta-feira (4/3), sua sétima reunião. A pauta da vez são as questões de infraestrutura e logística nos estados participantes. Neste novo encontro, além dos seis governadores que já integravam o bloco, estiveram presentes também José Melo (Pros), chefe do executivo amazonense e o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSDB), representando o governador Flávio Dino (PCdoB).

O bloco é presidido pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e conta ainda com os governadores Rodrigo Rollemberg (PSB), do Distrito Federal; Pedro Taques (PSDB), do Mato Grosso; Reinaldo Azambuja (PSDB), do Mato Grosso do Sul; Marcelo Miranda (PMDB), do Tocantins; e Confúcio Moura (PMDB), de Rondônia.

Criado em julho de 2015, o bloco hoje já está consolidado e começa a discutir medidas concretas de integração. Um consórcio entre os estados participantes já foi criado e, segundo Marconi Perillo, os governadores já começaram a depositar os fundos no consórcio. O principal tema da reunião desta sexta-feira é, no entanto, outro: as condições de logística e infraestrutura para auxiliar no escoamento da produção da região.

A inserção de um sistema intermodal de transporte de mercadorias, por exemplo, está sendo amplamente discutido. Marconi adiantou que já há conversas no sentido de fortalecer a integração, citando a ampliação das malhas ferroviária e hidroviária e o investimento em parcerias para acesso a portos e zonas francas.

“Todos esses estados têm complementaridades”, ressaltou, “Nós estamos estabelecendo uma parceria com o governador Melo em relação ao entreposto da zona franca de Manaus”, exemplificou Marconi. “O Porto do Itaqui é o escoadouro natural dos nossos produtos para serem exportados para o hemisfério norte – está 2 mil milhas náuticas mais próximo do hemisfério norte que o Porto de Roterdã, por exemplo”, acrescentou.

O Porto do Itaqui é, inclusive, o principal motivo pelo qual o Maranhão irá se juntar ao bloco. Brandão ressaltou o potencial do local e as implicações diretas de seu aproveitamento na economia: “Maranhão hoje tem o porto mais importante do Brasil, o mais próximo da Europa, dos Estados Unidos, que tem o maior movimento do Nordeste. E nós estamos deixando de aproveitar isso, porque com toda essa estrutura, nós poderemos baixar muito o custo de exportação”.

As ferrovias Norte Sul e o corredor Leste Oeste também foram lembrados, assim como o projeto de criar uma ferrovia em Goiás e no Distrito Federal. “O corredor da Norte Sul é importante para todos nós, mas também temos outros corredores que estão sendo discutidos, como o Leste Oeste, que vai beneficiar Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso”, defendeu o governador goiano.

Ainda na questão da logística, o governador do Tocantins defendeu o fortalecimento das hidrovias. Segundo ele, há muito potencial de exploração deste modal: “Discutimos alguns investimentos principalmente na área de hidrovias. Temos, no Tocantins, quatro usinas hidrelétricas funcionando sem reclusas e condições de navegabilidade de mais de 1000 km de rio”, ressaltou Marcelo.

Investimentos

A participação do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, também foi motivo de celebração entre os governadores, que destacam o interesse não só do BNDES, como também do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como um indicativo do sucesso da iniciativa do bloco.

“O BNDES pode fomentar ainda mais”, defendeu Reinaldo Azambuja. “Eu dou um exemplo aqui: Só o Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso têm mais de 25 milhões de hectares de pastagens degradadas, que não estão produzindo. Então você imagina o ativo que isso é para inserir no setor produtivo”, acrescentou. “O interesse aqui é criar uma agência positiva, de volta do crescimento. Se tiver um estímulo, pode crescer muito mais rápido.”

Saída da crise

Com discurso afinado, os governadores se mostraram animados com as possibilidades que o bloco pode representar para os estados. A esperança é que os membros superem a crise econômica com esta integração. “Se nós nos prepararmos, vamos sair mais rápido da crise e ter condições de avançar muito mais que outras regiões exatamente por conta do nosso nível de organização e de todo o planejamento que estamos fazendo”, afirmou Marconi.

“Nós temos identidade”, colocou Pedro Taques. “Nós produzimos muito e isso precisa ser reconhecido. Se nós somarmos o Produto Interno Bruto destes estados, o superávit comercial de cada um desses estados comparado com o superávit do Brasil, chegamos à conclusão de que estamos ajudando o Brasil”, defendeu.

A criação do bloco é vista como uma criativa maneira de superar o momento de dificuldades econômicas. “Nós temos que nos insurgir de uma forma bonita através desse consórcio, altamente construtivo e novo. Não existe e nunca existiu na Federação um modelo de consórcio de estados”, comemorou Confúcio.

Reunião com Dilma Rousseff

Mais tarde, segundo informou Marconi Perillo, a comitiva segue para Brasília, onde se encontra com a presidente Dilma Rousseff (PT) para discutir o alongamento das dívidas dos estados.

A medida também foi elogiada por Rodrigo Rollemberg: “Tivemos a mudança dos indexadores das dívidas e isso trouxe benefícios para alguns estados”. E acrescentou: “É muito importante nesse momento retomarmos as operações de crédito para que os estados possam recuperar sua capacidade de investimento. Esse consórcio tem se transformado numa inovação no Brasil”.

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