Kennedy Borges

E novamente aconteceu. Outro encontro memorável com esse felino ameaçado de extinção. O gato-palheiro (Leopardus braccatus) ocorre na região do Cerrado e no Pantanal.

O gato-palheiro é um gato silvestre pequeno, atingindo entre 3 e 5 quilos de peso. No Brasil só ocorrem duas espécies das cinco que existem na América do Sul. Além do Leopardus braccatus (foto acima), o bioma Pampa é habitat de outra espécie raríssima, o Leopardus munoai.

As outras três — L. garleppi, L. colocola e L. pajeros — distribuem-se em outros países sul-americanos e não ocorrem no Brasil.

Recentes estudos classificaram essas cinco espécies. Anteriormente, os “palheiros” no Brasil apresentavam outras classificações. Dito isso, vamos aos fatos: próximo ao prédio da administração do Parque Nacional das Emas, localizei o “bichano” à noite, em uma estrada interna localizada na borda do Parque.

Quando me viu, o gato-palheiro atravessou nosso aceiro e adentrou uma plantação de soja ao lado. Acompanhei com a lanterna e vi que ele se abaixou, provavelmente tentando se esconder. Eu estava com perneiras e resolvi tentar a sorte, pois a soja ainda estava baixa.

Desliguei o veículo e com a lanterna também desligada atravessei a cerca e fui na direção do animal furtivamente e em absoluto silêncio, na tentativa de registrá-lo. Para minha surpresa, quando acionei novamente a lanterna, lá estava o bichano a menos de três metros de distância. Resultado: fiz vários vídeos e fotos, uma das quais a publicada acima.

Kennedy Borges é analista ambiental-biólogo do ICMBio no Parque Nacional das Emas.