Novo define Eduardo Girão como vice de Romeu Zema na corrida pelo Planalto
04 agosto 2026 às 16h44

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O Partido Novo oficializou, nesta terça-feira, 4, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para a eleição presidencial de 2026. A definição foi anunciada pela coordenação da campanha após semanas de negociações entre os dois políticos e a direção nacional da legenda.
Com a escolha, Girão deverá retirar sua candidatura ao Governo do Ceará, lançada no início de julho, para se dedicar à campanha nacional. A composição marca a primeira chapa presidencial do Novo formada integralmente por integrantes do próprio partido.
A definição ocorreu depois de outras alternativas serem analisadas pela legenda. O ex-deputado federal Tiago Mitraud (Novo) chegou a ser cogitado para a vaga, mas acabou indicado para disputar o Governo de Minas Gerais como vice de Mateus Simões (PSD). Outro nome considerado foi o empresário Geraldo Rufino (Podemos), que decidiu disputar uma cadeira no Senado por São Paulo.
Aliança construída nos últimos anos
A aproximação entre Eduardo Girão e Romeu Zema ganhou força após a filiação do senador ao Novo, em fevereiro de 2023. Eleito pelo Pros em 2018 e posteriormente filiado ao Podemos, Girão tornou-se o primeiro senador da história da legenda ao ingressar no partido.
Na cerimônia de filiação, o parlamentar fez elogios à gestão de Zema em Minas Gerais, classificando o governador como uma referência nacional em administração pública. Também lembrou que apoiou Felipe d’Avila, candidato do Novo à Presidência em 2022.
Desde então, os dois passaram a atuar de forma alinhada em pautas políticas e econômicas. Em 2023, Girão saiu em defesa de Zema após declarações do governador sobre o Consórcio Sul-Sudeste gerarem críticas. Na ocasião, afirmou que conhecia o respeito do mineiro pela região Nordeste e classificou as interpretações como equivocadas.
A parceria foi reforçada em julho deste ano, quando Zema participou do lançamento da pré-candidatura de Girão ao Governo do Ceará. Durante o evento, ambos defenderam mudanças na gestão pública, criticaram administrações petistas e fizeram ressalvas à aproximação de setores do PL cearense com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).
Trajetória política e empresarial
Natural de Fortaleza, Luís Eduardo Grangeiro Girão, de 53 anos, construiu carreira no setor empresarial antes de ingressar na política. Atuou nos segmentos de hotelaria, segurança privada, transporte de valores e produção audiovisual. Em 2004, fundou a Associação Estação da Luz, dedicada a projetos sociais, e, em 2017, presidiu o Fortaleza Esporte Clube.
Sua estreia nas urnas ocorreu em 2018, quando foi eleito senador pelo Ceará com aproximadamente 1,3 milhão de votos, superando o então presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB). O mandato se estende até janeiro de 2027.
Em 2024, disputou a Prefeitura de Fortaleza e terminou em quinto lugar. Já em 2026, lançou candidatura ao Governo do Ceará, recebendo apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mesmo sem o respaldo oficial do diretório estadual do PL.
Atuação no Senado
No Congresso Nacional, Girão teve dois projetos convertidos em lei. Um deles instituiu o Dia Nacional do Espiritismo, celebrado em 18 de abril. O outro, sancionado em julho deste ano, proibiu a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais.
O senador também apresentou propostas para reduzir gastos públicos, limitar despesas com publicidade oficial, diminuir cargos comissionados e estabelecer critérios de eficiência na execução do Orçamento. Uma emenda de sua autoria foi incorporada ao texto da proposta que extingue a reeleição, unifica as eleições e amplia os mandatos para cinco anos.
Entre suas principais bandeiras, Girão defende a redução do tamanho do Estado, o corte de impostos e o controle das despesas públicas. Nos costumes, posiciona-se contra a descriminalização do aborto, a legalização das drogas para uso recreativo e a liberação dos jogos de azar. Também é crítico ao Supremo Tribunal Federal (STF), tendo apoiado pedidos de impeachment de ministros da Corte e defendido anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Com a definição do vice, Romeu Zema conclui a formação da chapa presidencial do Novo e inicia a campanha eleitoral com a estratégia de fortalecer a presença nacional da legenda, reunindo dois de seus principais quadros em uma mesma candidatura.
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