Novo Cangaço: presos sete suspeitos por explosões a bancos em cinco municípios

Somente em 2016, grupo agiu nos municípios de Aragarças, Bom Jardim de Goiás, Britânia, Itapirapuã e Montes Claros

O vice-governador e secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, José Eliton, durante apresentação de sete suspeitos de integrar o chamado “novo cangaço” | Foto: Jota Eurípedes

O vice-governador e secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, José Eliton, durante apresentação de sete suspeitos de integrar o chamado “novo cangaço” | Foto: Jota Eurípedes

A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) apresentou na tarde desta segunda-feira (20/06) detalhes da Operação Crepitus, que resultou na prisão de sete suspeitos de integrar o chamado “novo cangaço”, grupo especializado em explosões a agências bancárias. A organização é responsável por mais de 30% dos crimes dessa natureza cometidos no Estado. A apresentação foi conduzida pelo vice-governador e titular da Pasta, José Eliton, que estava acompanhado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Álvaro Cássio.

De acordo com o titular do Grupo Antirroubo a Bancos (GAB), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Alex Vasconcellos, somente em 2016 a associação criminosa teria explodido agências bancárias de cinco municípios goianos: Aragarças, Bom Jardim de Goiás, Britânia, Itapirapuã e Montes Claros. “Os criminosos confessaram os crimes”, disse.

As investigações duraram cerca de três meses e, ao todo, a Operação Crepitus (explosão, em latim) contou com o trabalho de 10 agentes de polícia, dois delegados e três escrivães. As prisões ocorreram na quarta-feira (15/06) em Goianira e Jussara. Os acusados são Iodeyve José da Silva, 23 anos, Gilson Noé, 32, José Arnaldo Rebouças, 31, Lucas Pereira, 21, Carlos Henrique Souza, 30, Cleber Moura, 26, e Francisco Ernani, 35. De acordo com a Polícia Civil, esse último é o chefe da organização criminosa.

Um fato que chamou a atenção da polícia, segundo o delegado Alex Vasconcellos, é o alto padrão de vida dos envolvidos. “Todos os presos viviam em casas luxuosas, com móveis caros, piscinas e carros (próprios e alguns fruto de roubos) considerados de alto valor aquisitivo”, disse ao informar que, durante entrevista com o chefe do bando, Francisco Ernani, o mesmo confessou que não exerce qualquer atividade lícita que lhe permita ter uma renda.

Ainda de acordo com o delegado, com a organização criminosa foram encontrados um veículo que já estaria sendo equipado para um novo ataque e armamento de grosso calibre. “No momento das prisões eles confessaram que as armas eram locadas no Estado de São Paulo”, relatou. Ainda segundo o titular, além das explosões a agências bancárias, eles também atuavam ainda em outros tipos de crimes, como roubo de cargas e no tráfico de drogas.

Justiça

De acordo com o titular da SSPAP, José Eliton, durante a apresentação dos detalhes da operação e divulgação das identidades dos suspeitos, os mesmos não foram apresentados pelo fato de o Poder Judiciário do Estado estar realizando, no mesmo momento, audiências de custódias com os envolvidos. “Não acredito que o juiz responsável vá flexibilizar os pedidos de prisões dos suspeitos, até porque a Polícia Civil enviou material suficiente que comprova o envolvimento de todos e a alta periculosidade do grupo”, disse.

De acordo com o delegado Alex Vasconcellos, a quadrilha agia com extrema violência. Segundo ele, parte do grupo ficava dentro das agências bancárias, enquanto os demais integrantes efetuavam disparos pela cidade, inclusive contra as forças policiais locais.

“Nosso serviço de inteligência monitorou os casos e, com isso, concluímos que são responsáveis por todas as ocorrências de roubo a bancos no Oeste goiano ao longo deste ano”, explicou ao citar que a polícia não descarta uma possível participação do grupo em crimes dessa natureza cometidos em anos anteriores.

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