Nova série da Netflix sobre Lava Jato gera polêmica e debandada de assinantes

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) divulgou artigo no qual acusa produção e “propagar fake news”. Produtor José Padilha diz que público sabe separar ficção da realidade 

Selton Mello protagoniza série sobre Operação Lava Jato na Netflix | Foto: Divulgação

Desde que estreou, na última sexta-feira (23/3), a série “O Mecanismo,  produzida pelo serviço de streaming Netflix, inspirada na Operação Lava Jato, tem causado polêmica por conta de pontos do roteiro que não retratam fielmente acontecimentos históricos.

Com a promessa de ser uma interpretação menos fantasiosa que a do filme “Polícia Federal – A lei é para todos”, a série casou revolta especialmente após trecho em que o personagem que representa o ex-presidente Lula (PT) fala em “estancar a sangria”.

A citação é uma clara referência à frase que ficou conhecida na boca do senador Romero Jucá (MDB-RR), em diálogo gravado com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machad, no âmbito da Operação Lava Jato da vida real. No áudio, o emedebista diz que é preciso “uma troca de governo para estancar essa sangria”, referindo-se ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

A incongruência causou indignação em boa parte do público, que se engajou em campanhas de protesto contra a série durante o final de semana e onda de cancelamentos de assinaturas da Netflix.

Em artigo publicado no último domingo, a própria ex-presidente Dilma acusou a série de propagar “fake news” e disse que Padilha distorce a realidade. “A propósito de contar a história da Lava-Jato, numa série ‘baseada em fatos reais’, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula. A série ‘O Mecanismo’, na Netflix, é mentirosa e dissimulada. O diretor inventa fatos. Não reproduz ‘fake news‘. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas”, escreveu.

A ex-presidente completou dizendo que a série distorce a linha do tempo de escândalos políticos. “Ora, se a série é ‘baseada em fatos reais’, no mínimo é preciso se ater ao tempo em que os fatos ocorreram. O caso Banestado não começou em 2003, como está na série, mas em 1996, em pleno governo FHC”, diz a nota.

Em entrevista ao site de entretenimento do portal Uol, Padilha disse que o debate em torno da frase é “boboca” e que se a reclamação é em relação apenas à essa frase seria porque “o público petista está achando difícil negar todo o resto”.

Sobre as acusações de que estaria propagando fake news, o diretor diz que “na abertura de cada capítulo da série avisamos que fatos foram alterados para efeitos dramáticos. Para o pessoal que sabe ler, portanto, não há ruído algum”.

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Marcos

Fake News é está manchete, dizer que causou debandada de assinantes é a maior falácia de todos os tempos…kkkk

Jorge Carlos Amaral de Oliveira

Script original:
– Temos que estancar essa sangria!
– O Senador já disse isso.
– Tirou a minha da boca!