“Nós vamos mudar o jogo em Anápolis”, diz presidente local do PSDB sobre possível candidatura de Baldy em 2016

Para Valto Elias de Lima, deputado federal eleito emerge como “expoente” dentro do partido para eleições municipais e pode quebrar hegemonia petista na cidade

Valto Elias -  Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Valto Elias – Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Mesmo com o bom resultado alcançado nas urnas, para 2016, o PSDB de Anápolis tem pela frente o desafio da organização de um projeto político que supere o quadro favorável deixado pelo ex-prefeito Antônio Gomide ao PT no município. Neste cenário político, o nome ideal seria o do deputado federal eleito Alexandre Baldy. Ao menos é o que defendeu, em entrevista ao Jornal Opção Online, o presidente do PSDB anapolino, Valto Elias de Lima.

Professor e sociólogo, o dirigente diz que o nome do ex-secretário de Indústria e Comércio emerge como “expoente” do partido em âmbito municipal. “Ele deve se firmar como principal interlocutor do governador na cidade e o principal articulador da base aliada no município. Por ser o mais votado, o quadro em 2016 de qualquer maneira passa por ele”, defendeu Valto. Como segunda opção, embora pouco provável, o presidente coloca em jogo o nome da candidata derrotada à Assembleia Onaide Santillo (ex-PMDB).

Durante entrevista, Valto Elias também fez um balanço das eleições governamentais e contou sobre as origens da forte resistência do eleitorado anapolino ao nome do decano peemedebista Iris Rezende. Por fim, também contou detalhes sobre as tratativas do diretório municipal com a gestão do Estado para que Anápolis permaneça à frente da Secretaria de Indústria e Comércio (SIC) no próximo mandato de Marconi.

Presidente, acabamos de sair de uma campanha eleitoral em que foi confirmado o bom desempenho do governador Marconi Perillo ao longo de seus três mandatos. Em Anápolis, principalmente no segundo turno, esses resultados também foram bastante positivos, com reflexo nas urnas. Qual é avaliação que o senhor faz para este cenário político?
Mais uma vez o governador obteve uma eleição espetacular no segundo turno. No primeiro, é óbvio, tinha um candidato local, Antônio Gomide, que saiu muito bem avaliado na gestão municipal e que, por isso, obteve um resultado mais favorável. No segundo turno, entretanto, Marconi voltou a obter o resultado expressivo, com ampliação, inclusive, em relação à eleição de 2010. Só que foi um processo tranquilo. Conseguimos convergir toda a base aliada a participar da campanha, que foi ativa e colaborativa. O PSDB em Anápolis saiu fortalecido, porque conseguimos eleger um deputado federal e obter uma expressiva votação para a Assembleia. Tivemos uma candidata local, que foi a ex-deputada Onaide Santillo que, embora não tenha conseguido o quantitativo necessário de votos para sua eleição, se não me engano, foi a segunda mais votada no município; o que demonstra que ela possui força enorme para o PSDB e para o projeto político do partido, visando um projeto de convergência que está em curso, tendo em vista 2016.

Pois é, para 2016, quais serão as estratégias do PSDB anapolino? Como quebrar o reduto do PT no município?
Uma das metas do PMDB é conquistar o poder Executivo municipal. E esse processo começa agora. É um processo natural. O partido político existe de eleições e ele existe para isso: para congregar forças e para apresentar projetos para a sociedade. Partido político para ser coerente com sua existência necessita buscar o poder e temos esse projeto para Anápolis. Nós temos para 2016 o nome do Alexandre Baldy, deputado federal, que emerge como um expoente do PSDB local e que deve se firmar como principal interlocutor do governador na cidade e o principal articulador da base aliada no município. Por ser o mais votado, o quadro em 2016 de qualquer maneira passa por ele. Também há convergência com Onaide Santillo, que também representa um contingente eleitoral muito expressivo na cidade. Então, estamos nos preparando, e vamos nos preparar internamente daqui para o ano que vem nesta perspectiva de apresentar um projeto político-eleitoral para a sociedade, além de um projeto de poder. Primeiramente, em âmbito interno, entre os partidos da base aliada. É claro que nem todos eles, pois existem aqueles partidos que estão com o governador em âmbito estadual, mas que localmente estão no quadro de alianças do PT. Então, temos que ter habilidade para fazer esse trabalho.

Então, ao que tudo indica, o nome para 2016 em Anápolis será mesmo o de Alexandre Baldy?
Não que ele já tenha declarado isso, mas nós, enquanto partido político, temos conquistado resultados mais expressivos com ele. Acho que o nome dele emerge como natural. O que não quer dizer que será ele. Temos outros nomes importantes, como o da Onaide Santillo.

E ele teria o cacife para quebrar essa hegemonia petista lá em Anápolis, visto a boa avaliação do ex-prefeito Antônio Gomide no município?
Mais do que nunca nós temos uma possibilidade de quebrar essa hegemonia. O PT já passou por dois pleitos do Antônio Gomide e hoje ele não pode ser mais candidato. Acho que isso abre um arco local. O atual prefeito, João Gomes, vai ter que criar uma identidade política própria, que ainda não existe. Ele assumiu a prefeitura, mas quem tem hoje o emblema é a figura do Gomide. João Gomes tem o desafio, hoje, de firmar sua liderança e marcar posição para ser um candidato consistente. Ele vai ter que organizar sua equipe, mas nós entendemos que o campo está aberto e nós temos chances concretas de apresentar uma chapa majoritária consistente e também uma aliança com as chapas proporcionais. Nós vamos mudar o jogo em Anápolis. Não tenha dúvida disso.

Como é hoje a realidade do poder Legislativo municipal? Se não me engano, o PT conta com ampla maioria na Câmara de Vereadores, como vocês vão tentar virar este jogo em 2016?
É uma hegemonia do PT. De 23 vereadores, nós temos dois vereadores do PSDB, um vereador do PSL, que tem uma certa posição na Câmara, mas é uma grande maioria de apoio ao poder Executivo. E nós fizemos um trabalho, agora, durante a eleição, em que obtivemos apoio de um número expressivo de vereadores para a campanha do governador Marconi Perillo. Inclusive, no segundo turno, conseguimos um documento assinado por 14 vereadores de apoio ao governador. Porque também, é como eu te disse, tem partido que está aliado ao governado em âmbito estadual, mas localmente está aliado ao PT. É fato também que hoje não é a mesma coisa que há três anos, por exemplo.

Como assim? Há uma abertura maior?
Hoje há uma abertura maior. Conseguimos, por exemplo, no processo eleitoral, que vereadores, aliados ao PT, apoiassem o Alexandre Baldy para deputado federal. Nós queremos fazer um trabalho de convencimento e de propostas, e que reúna o maior número possível de partidos e políticos, e que quebre essa hegemonia petista, inclusive, na Câmara Municipal. Nós vamos ampliar o diálogo, tanto, institucionalmente, na Câmara, como com lideranças comunitárias, organizações de sociedade e órgãos de classe. Estamos levantando um projeto político, e você faz um projeto político buscando o diálogo com a sociedade em primeiro lugar.

O senhor falou sobre os bons resultados do Marconi em Anápolis nessas eleições. Em contrapartida, também foi visto uma grande resistência por parte do anapolino ao nome de Iris Rezende, do PMDB. Por que Anápolis não quer nem ouvir falar de Iris Rezende?
É uma questão histórica criada pela disputa fraticida no PMDB entre irismo e santillismo. Iris trabalhou ferozmente para desmontar a força política do Henrique Santillo e isso fez com que a sociedade de Anápolis criasse um ranço político de Iris. Henrique Santillo construiu sua força política e moral centrada em Anápolis. Ele foi um grande benfeitor para Anápolis, reconhecidamente. E o Iris, ao fazer esse desmonte do Santillo, acabou atingindo a própria sociedade. Paralelo a isso, os governos do PMDB, na época de Iris Rezende, não investiram em Anápolis. Então, a população tem aquele sentimento de abandono por parte dele em todos os seus governos e, inclusive, durante os governos de Maguito, em que o Iris tinha forte influência. O Daia, que é uma questão de orgulho próprio do anapolino, foi praticamente desmontado. O Daia tinha nove mil empregos e, ao final do governo do PMDB, estava com 3.800. Foi uma perda para Anápolis, sem contar outros investimentos públicos, que não foram percebidos na cidade. Por isso que o Marconi vem em 1998 e tem aquela avalanche de votos em Anápolis. Foi o voto da indignação. Então, tem esse estigma de que o PMDB, personalizado no Iris, governou de costas para Anápolis.Acho que essa situação é irreversível. Nestas últimas eleições, por exemplo, ele chegou a ir a Anápolis, o terceiro maior colégio eleitoral do Estado, somente uma vez. Este é o estigma. Ele abandonou Anápolis por doze anos, durante seus dois mandatos e o do Maguito. É muito tempo para uma cidade que tinha essa autoestima, esse orgulho muito forte, por ser uma cidade com influência política no cenário regional e nacional.

Passada a eleição, agora há a preocupação em torno da montagem do novo corpo administrativo do governo tucano. E Anápolis tem, por tradição, o poder de indicar o secretário de Indústria e Comércio, cujo titular atual é o Bill O’Dwyer. Como está sendo discutida essa continuidade? Qual é a importância dessa participação anapolina dentro do quadro gestor do Estado?
Temos conversado. Durante o processo eleitoral, as lideranças de Anápolis reivindicaram continuar com a Secretária de Indústria e Comércio, até porque, Anápolis, por ser um polo econômico regional e nacional, há toda uma simbologia. Goiás esteve à frente no ranking nacional de desenvolvimento de atração de indústria e Anápolis contribuiu muito para isso. Lá, está o polo farmoquímico que, se não me engano,  é o segundo maior do Brasil. O Centro de Convenções de Anápolis, por exemplo, concorre com os mesmo do eixo Rio-São Paulo. O aeroporto de cargas de Anápolis é compatível com os maiores e melhores do mundo e poderá receber cargueiros do mundo inteiro. Além disso, o governador já se comprometeu a criar o Daia 2. Então, a tendência de Anápolis é se consolidar como potência regional do Centro-Oeste. Em um cenário desse, eu acho que é natural Anápolis continuar reivindicando a Secretaria de Indústria e Comércio, até pela experiência que temos. Já foi feito o pedido para o governador durante o processo eleitoral, e cidade, mais uma vez, prestigiou o governador eleitoralmente, como reconhecimento também a todo o investimento de Marconi na região. Eu acho que hoje há uma grande reciprocidade entre o governador e Anápolis. Costuma-se dizer que o que está bom não há a necessidade de mexer e eu acho que é essa a questão. É claro que precisamos reconhecer o direito dos outros. É na discussão política que os quadros vão se definindo.

 A tendência é que o Bill O’Dwyer continue à frente da SIC, ou pode surgir um novo nome?
O campo está aberto. O Bill entrou num momento para  atender a uma circunstância.  Com o afastamento do Alexandre Baldy para a candidatura, precisava encontrar um nome de convergência e veio o Bill. Agora, ainda não conversei com ele e não sei ele está tentando construir sua permanência lá, mas é possível. Ele fez um bom trabalho e tem a simpatia do empresariado de Anápolis e das forças políticas.

Uma resposta para ““Nós vamos mudar o jogo em Anápolis”, diz presidente local do PSDB sobre possível candidatura de Baldy em 2016”

  1. Avatar FELIPE disse:

    O presidente Tucano em Anápolis é um bom quadro para a cidade, por que não é canditado? Teria meu voto.

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