No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, pais pedem respeito da sociedade

“Meu sentimento, assim como o de milhares de mães que passam por isso, é o de medo. Meu filho só vai ser respeitado numa sociedade que padece de conscientização se os seus pares também forem reconhecidos como cidadãos plenos e dotados de garantias e direitos fundamentais e sociais”, diz a advogada Tatiana Takeda

Advogada Tatiana Takeda, seu filho, Theo Luiz, e sua filha caçula, portando meias com o símbolo do autismo. | Foto: Arquivo pessoal

Além de Sexta-feira da Paixão, esta sexta-feira, 2, é marcada pelo Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Esta data foi escolhida em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com objetivo de promover debates sobre o transtorno e estimular atividades que promovam a conscientização social acerca do tema.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA) está presente em 1%, ou uma em cada 160, das crianças do mundo, variando entre o grau mais leve o mais grave. O TEA engloba tanto o autismo, quanto a Síndrome de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno generalizado do desenvolvimento não especificado.

Discriminação contra pessoas com TEA

Em todo o mundo, pessoas com TEA são frequentemente sujeitas à estigmatização, discriminação e violações de direitos humanos. Além disso, em cenário global, o acesso aos serviços e apoio para essas pessoas é inadequado. Tatiana Takeda, professora de Direitos da Pessoa com Deficiência e membro de comissões de defesa da pessoa com deficiência (OAB Nacional, OAB/GO e IBDFAM/GO), é mãe do Theo Luiz, uma criança autista de 9 anos, e concorda que esse cenário de preconceito exista.

A advogada conta que a discriminação ocorre em todos os ambientes. Na escola, onde Theo passava a maior parte do tempo antes da pandemia começar, o bullying já ocorreu tanto por parte dos colegas, quanto por pais de alunos e professores. Tatiana acredita, entretanto, que em ambiente escolar, esses episódios são mais simples de ser detectados.

Geralmente, as principais consequências do transtorno são as influências na interação social. Entretanto, apesar de a dificuldade na comunicação muitas vezes existir entre os autistas, isso não impede que as potencialidades das pessoas sejam trabalhadas.

A história de Theo Luiz

Tatiana conta que seu filho foi diagnosticado como autista no grau grave aos 18 meses de idade. No entanto, de lá para cá, às custas de bastante tratamento e envolvimento da família, dos terapeutas e da escola, Theo Luiz desenvolveu bastante suas habilidades e potencialidades. “Hoje ouso dizer que ele pode ser enquadrado como um autista de grau moderado”, acrescenta a advogada.

“Theo Luiz só vai ser respeitado numa sociedade que padece de conscientização se os seus pares também forem reconhecidos como cidadãos plenos e dotados de garantias e direitos fundamentais e sociais”, diz advogada Tatiana Takeda

Theo, que possui dificuldades nas áreas de cognição, comunicação e funcionalidade, há algum tempo faz terapia de Análise Aplicada ao Comportamento, fonoaudiologia e Terapia Ocupacional. De acordo com Tatiana, além dessas, Equoterapia, a natação e a capoeira também fazem parte da vida do filho, pelos últimos 8 anos, e são responsáveis por parte do desenvolvimento alcançado por ele.

Importância da conscientização

Desde que deu à luz a seu primogênito, Tatiana acredita ter tido sua vida completamente transformada. Antes, a advogada conta que seus conhecimentos acerca do TEA eram quase nulos. Quando foi alertada pelo pediatra acerca da suspeita de autismo, por falta de informações, quase “paralisou’. Entretanto, por acreditar que precisava fazer parte das pessoas que conscientizam da sociedade sobre o transtorno, realizou uma pós-graduação em Ensino Estruturado para Autistas, Direito Educacional e Direito da Criança e Adolescente.

“Meu sentimento, assim como o de milhares de mães que passam por isso, é o de medo. Medo do meu filho se machucar ou ser machucado, o temor dele ser constrangido desprovido da devida defesa e, principalmente, o pavor de eu ir embora e ele ficar sem mim neste mundo repleto de pessoas más e desrespeitosas. Por isso, dou aulas, cursos e palestras não somente na busca de levar informações, mas também por tentar plantar conscientização e sensibilização na cabeça e coração daqueles que me ouvem ou leem o que escrevo”, justifica a advogada.

A importância da conscientização se dá, para a advogada e professora, ao passo que a falta dela e de demais informações são as principais causas do estigma e das discriminações. “Theo Luiz só vai ser respeitado numa sociedade que padece de conscientização se os seus pares também forem reconhecidos como cidadãos plenos e dotados de garantias e direitos fundamentais e sociais”, conclui.

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