Potencial explosivo da substância, muito utilizada na agricultura, já foi explorado por terrorista no atentado de Oklhaoma, nos Estados Unidos, em 2015. No Brasil composto é controlado pelo Exército

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Um acidente em um armazém que estocava nitrato de amônio é, até o momento, a hipótese mais provável para explicar a explosão em Beirute, capital do Líbano, nesta terça-feira, 4. A tragédia deixou cerca de 80 mortes e centenas de feridos

Para a CNN, o professor e doutor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Reinaldo Bazito explicou que “o nitrato de amônio é um dos principais fertilizantes utilizados na agricultura, no entanto, ele tem uma característica que pode fazê-lo explodir em determinadas circunstâncias.

Bazito ainda disse que, apesar de segura, a substância já causou outros acidentes e no Brasil é controlada pelo Exército. 

O composto é um pó branco e cristalino, que dificilmente causa acidentes. “Ele precisa de uma iniciação. É seguro para uso na agricultura, com precauções. Não é como a nitroglicerina, não explode sozinho” afirmou Bazito. “A grande explosão [em Beirute] aconteceu pela grande quantidade [armazenada de nitrato] em condições que não eram as adequadas. Nesse armazém se fala em 2.700 toneladas [armazenadas]. Provavelmente nem tudo explodiu simultaneamente”, especulou o químico. “O problema não é a quantidade, é a condição de armazenagem do nitrato”, acrescentou.

O professor da USP lembrou da utilização do nitrato de amônio no atentado de Oklhaoma, nos EUA, em 2015. Na ocasião, o potencial explosivo da substância foi explorado por um terrorista pela mistura do óleo diesel  — que, misturado ao fertilizante inflamável, gerou explosões.