Senadores vão questionar Queiroga sobre número discrepante de vacinas e negacionismo do governo

Depoimento do atual ministro da Saúde iniciará hoje às 10h; senadores deverão questioná-lo quanto a propaganda de 282 milhões de vacinas garantidas que, na verdade, estariam apenas em fase de negociação

Atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. | Foto: Marcelo Camargo


Ainda na fase de coleta de depoimentos, nesta quinta-feira, 6, a CPI da Pandemia vai questionar o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre o ministério ter divulgado um número de vacinas contratadas inferior ao real. O ministro será ouvido a partir das dez horas da manhã.

presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), confirmou que esse é um dos principais assuntos a serem tratados com Queiroga, uma vez que a imprensa revelou que a quantidade de doses anunciadas pelo ministério foi quase o dobro do que foi efetivamente adquirido até o momento.

“Amanhã vamos saber se tem ou não vacina e quais são os contratos. Vou esperar o ministro aqui com essa resposta”, declarou Omar, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 5, após a reunião da CPI.

O ministério vinha publicamente anunciando, desde março, o fato de já ter 560 milhões de doses do imunizante contra a Covid-19 já garantidas. Entretanto, após o questionamento do deputado Gustavo Fruet (PDT-PR), a pasta admitiu a garantia de apenas 281 milhões; as outras 282 milhões estariam em ‘negociação’.

Além da publicidade acerca das doses, Queiroga ainda deve ser questionado quanto ao próprio atraso na negociação das vacinas, o negacionismo por parte do Governo Federal e a defesa do uso de medicamentos sem eficácia para o tratamento precoce à doença, por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O atual ministro da Saúde ainda deve ser questionado pela própria defesa que vem prestando ao Governo e ao presidente. Na última semana, por exemplo, Queiroga afirmou as ações da gestão federais não são negacionistas, e que “negacionismo é negar o que o governo fez”.

Próximos depoimentos

A ideia inicial era que o depoimento de Queiroga fosse o último a ser coletado, entretanto, após o adiamento da entrevista à Eduardo Pazuello, que emitiu comunicado alegando que não poderia comparecer após ter tido contato com pessoas contaminadas com a Covid-19, outras autoridades foram convocadas e confirmadas a depor.

Os próximos depoimentos a serem coletados serão do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, ainda nesta quinta-feira, às duas horas da tarde. No dia 11 de maio, será entrevistado o ex-secretário da Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, além de representantes da Pfizer. Na próxima quinta-feira, 12, serão ouvidos os presidentes da Fiocruz, Nísia Trindade, e do Instituto Butantan, Dimas Covas. Já na sexta-feira, 13, quem prestará depoimento é o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e representante da União Química. Para encerrar a fase de coleta de depoimentos, o interrogatório a Eduardo Pazuello está marcado para 19 de maio.

O presidente da CPI negou a possibilidade de adiantar uma convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em face dos depoimentos dos últimos dias. Isso, porque os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich afirmaram que não viam interesse da pasta de Guedes no combate à pandemia. No entanto, apesar dessas declarações, Omar Aziz afirmou não ter intenção de alterar o plano de trabalho da comissão para trazer esse tema agora.

Em uma audiência realizada nesta quarta, a CPI ainda aprovou o depoimento de duas autoridades de Saúde do Amazonas: o atual secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, e o ex-secretário-executivo de Saúde João Paulo Marques. Entretanto, ainda não há data para a entrevista.

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