“Não levo petista”, diz motorista da Uber ao cancelar corrida solicitada por advogada

Assessora parlamentar da vereadora Livia Duarte vai à Justiça por violação ao direito do consumidor

Imagem mostra a conversa com o motorista da Uber | Foto: Reprodução

Sob alegação de discriminação política, Amanda Larêdo, 24, advogada e assessora parlamentar da vereadora Livia Duarte (PSOL-PA), vai à Justiça contra a Uber depois que um motorista da plataforma cancelou uma corrida sob alegação de que não transporta “petista”. Ela alega que, ao relatar o caso, recebeu apenas uma mensagem protocolar da empresa e que, por isso, ingressará com ação judicial por violação ao direito do consumidor caracterizada por “prática abusiva”.

“Eu vestia uma camisa vermelha, mas não estava com nenhum adereço que associasse à minha posição política. Estava com dois amigos e um deles vestia a camisa com o rosto de Lula, mas o carro era apenas para mim. Precisava do carro, mas não da humilhação por uma presunção de que eu seria petista. Não sou filiada a nenhum partido”, diz. Segundo ela, o motorista da Uber não parou no ponto de embarque e, ao ser questionado via mensagem de texto no próprio chat da empresa, afirmou que: não levaria “petista”. Depois da troca de mensagens, o motorista cancelou a viagem e a cliente acionou a plataforma, que à ela respondeu que iria “tomar as medidas necessárias para que isso não” voltasse “a acontecer”. Afirmou também o colaborador poderia ser notificado por violação dos Termos de Uso ou, até mesmo, banido “em caso de reincidência”.

“É inaceitável recusar um passageiro por preferências políticas. Na hora fiquei sem palavras, não esperava. Meu amigo que me lembrou de printar. Hoje penso que poderia ter sido pior, imagina o que ele (o motorista) poderia ter feito comigo sozinha dentro do carro. Foi um livramento”, continua, em entrevista ao Jornal O Globo. Por meio de nota ao veículo, a Uber declarou que “tem uma política de tolerância zero a qualquer forma de discriminação e que defende o respeito à diversidade. “A empresa acrescentou “que os motoristas têm direito a ter sua posição política, mas não podem se negar a atender um cliente em “razão de seu credo, raça, nacionalidade, religião, necessidade especial, orientação sexual, identidade de gênero, estado civil, idade ou inclinação política”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.