“Não há qualquer indicativo que eu vá sair da liderança nesse momento”, afirma major Vitor Hugo

Em entrevista ao Jornal Opção, líder do governo na Câmara dos Deputados desmente substituição e defende negociações de presidente Jair Bolsonaro com o Centrão

Deputado federal Major Vitor Hugo | Foto: Jornal Opção /Fernando Leite

Após rumores de uma pressão do Centrão ao presidente Jair Bolsonaro por uma substituição do nome de major Vitor Hugo por alguém com maior trânsito político na liderança do governo, o deputado estadual falou ao Jornal Opção que “a notícia do jornal Estadão, da maneira que foi publicada, não reflete a verdade”.

De acordo com ele, após a publicação, houve conversas com líderes do Centrão que esclareceram os boatos. “O próprio ministro Ramos me ligou, minutos depois, para desmentir a notícia. Arthur Lira (PP) me mandou mensagem também desmentindo. O presidente do Republicanos me chamou, mostrou a mensagem que ele enviou ao presidente dizendo que o partido não tem interesse de brigar pela liderança do governo”, contou.

Segundo Vitor Hugo, a informação teria sido espalhada por alguém interessado no cargo, como já houve especulações no passado em relação a isso. “É lógico que as lideranças e os ministérios são cargos de escolha do presidente da República. Ele pode fazer avaliações e reavaliações de cenário a qualquer momento. Neste momento, eu vejo essa notícia como manobra política de algum grupo que tem intenção de ter a liderança do governo”, avaliou.

Ao ser questionado se o próprio presidente Jair Bolsonaro teria desmentido o boato para ele, ele reforçou que o presidente não tem interesse em trocar o nome do líder. “A notícia que saiu no Estadão é completamente enviesada e tem que ser entendida no contexto de disputa política normal, que acontece na Câmara. Talvez até um pouco contaminada pela antecipação da disputa pela presidência da Câmara”, afirmou. “Não há qualquer indicativo que eu vá sair da liderança nesse momento.”


Acordos com o Centrão

O parlamentar vê com naturalidade os recentes acordos do presidente Jair Bolsonaro com as lideranças do Centrão, mesmo que no passado ele tenha se posicionado contra a “velha política”, com negociações de cargos. “O Brasil precisa que a gente aprove, na Câmara dos Deputados e no Senado, o mais rápido possível as medidas que vão nos tirar tanto da crise sanitária que o Covid-19 tem nos colocado quanto da consequente crise econômica”, argumentou.

“É claro que o presidente tem interesse, agora ainda maior, de formar uma base. Essa base é para, como eu falei, aprovar rapidamente as pautas. O presidente não vai mudar em nada aquilo que ele falou durante sua campanha, que é manter sua atuação dentro da ética, da correção de atitudes”, garantiu Vitor Hugo.

Mesmo com falas passadas de Bolsonaro condenando troca de apoio por cargos, o líder do governo defendeu que não há problemas nesse tipo de negociação, desde que garantida a idoneidade e capacidade da pessoa que vai ocupar o cargo.”A indicação política em si não é problemática, desde que seja uma pessoa idônea e capacitada para o cargo. Tem também o caso da composição da ideia de levar recursos de forma lícita para suas bases é também uma maneira republicana de fazer com que as pessoas tenham acesso a recursos federais”, alegou.

“Vejo essas aproximações do presidente como muito corretas. Tenho certeza absoluta que o Estado Brasileiro tem maturidade e uma verdadeira artilharia contra o mal feito. Estamos falando não apenas do governo, mas do Estado, que é o Judiciário, os tribunais de contas dos estados e municípios, a própria população, Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União. Tem uma série de órgãos de controle e a própria sociedade para impedir que as pessoas façam coisas erradas”, afirmou.

De acordo com o deputado, as peças políticas foram colocadas no tabuleiros pelos mesmos eleitores que colocaram Bolsonaro na presidência. “O presidente tem que jogar esse jogo de xadrez com as peças que estão postas na política”, defendeu. “Não vai acontecer como em outros governos petistas, em que o crime era conduzido de dentro do Palácio do Planalto. A gente tendo o Lula condenado em dois processos criminais, sendo réu em oito processos. Isso aí não vai acontecer com nosso presidente.”

Ainda, Vitor Hugo ressaltou que o problema não está em negociações de cargos, mas em crimes cometidos por meio desses acordos. “Se houver algum malfeito, nós defendemos que sejam punidos. O que o presidente da República criticava e nós continuamos criticando são as práticas do passado que muitas vezes retornava em desvios de dinheiro, corrupção, lavagem de dinheiro. Então, a deturpação daquilo que se faz com a boa política. A deturpação não será defendida por nós”, garantiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.