“Não foi fatalidade. Quero justiça”, diz filho de vítima internada desde acidente no Mutirama

Carlos acompanha a mãe no Hugo há quase dois meses e espera que alguém seja responsabilizado pela tragédia

Entrada da ala de enfermaria do Hugo | Foto: Matheus Monteiro/ Jornal Opção

Desde o dia 26 de julho, Iraci Francisca da Conceição, de 56 anos, não sai da cama por conta de um ferimento extenso na perna. Entre UTI e enfermaria já foram quase dois meses. Ela já passou por duas cirurgias na perna direita — uma para correção da fratura de fêmur e outra para reconstrução muscular- e também foi submetida a procedimento cirúrgico para reparo de fratura no tornozelo esquerdo.

Iraci foi uma das vítimas do acidente com um brinquedo do parque Mutirama, e é a única que segue internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) desde que uma pane no brinquedo Twister deixou 13 feridos, sendo dois em estado grave.

O filho, Carlos José de Araújo, é um dos familiares que revezam, desde então, como acompanhantes e ajudam na recuperação da paciente. “Nós, assim como ela, estamos agoniados, morrendo de vontade de sair daqui”, disse em entrevista ao Jornal Opção.

A mulher está afastada do emprego desde a tragédia e recebe auxílio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com a perna imobilizada, faz fisioterapia, toma antibióticos por conta de uma infecção bacteriana e divide o quarto com outra paciente.

Apesar de o presidente da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul) afirmar que a Prefeitura está acompanhando o caso de perto, Carlos desmentiu e disse que recebeu visitas apenas de representantes do Ministério Público de Goiás (MP-GO) e da Polícia Civil, que estão investigando o caso. “São eles que estão vendo se cabe entrar com processo ou não”, declarou.

Cansada após fazer esforço para se sentar na cama com a ajuda do filho, Iraci limitou-se a dizer que tem esperança na melhora. “Estou bem, apesar de tudo”, falou brevemente antes de se deitar novamente.

Segundo Carlos, ela deve passar por um enxerto na perna na próxima semana. “A equipe disse que depois desse passo, logo ela irá para casa”, afirmou esperançoso. “Fora daqui a recuperação é mais fácil”, acrescentou.

De acordo com o último boletim médico, Iraci está orientada, consciente e respirando de forma espontânea. Apesar de estável, seu ferimento ainda é extenso e exige uso de antibióticos e futuras cirurgias, portanto, não há previsão de alta médica.

Indenização

Após o acidente, o presidente da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), Alexandre Magalhães, disse que não vê motivos para indenizar as famílias que foram vítimas da tragédia.

“Não vejo motivo ainda de indenização. Estamos atendendo eles e dando tudo que for necessário. O que for preciso, o prefeito [Iriz Rezende (PMDB)] nos determinou que é para fazer e atender necessariamente essas pessoas da melhor maneira possível e estamos fazendo”, asseverou.

Até o momento, a família não entrou com pedido de indenização e, por isso, o caso ainda não está sendo analisado pela Justiça. “A preocupação agora é com a saúde da minha mãe. Estamos sem cabeça para isso”, justificou Carlos.

Segundo ele, porém, há esperança que alguém seja responsabilizado, ainda que “dinheiro nenhum pague” o que a família está passando. “Não foi uma fatalidade. Foram vários erros de pessoas ligadas ao parque. Quero justiça”, falou.

Relembre o caso 

No dia 26 de julho, um grave acidente no parque Mutirama deixou 13 pessoas feridas. A atração chamada “Twister” sofreu uma pane, jogando as pessoas ao chão. Vídeos postados nas redes sociais mostram o desespero de quem estava no local após o ocorrido.

Responsável pelo Mutirama, o diretor Frank Fraga classificou o ocorrido como uma “tragédia” e garantiu que a manutenção é feita periodicamente.

Desde então, o parque está interditado e é alvo de investigações quanto a manutenção dos brinquedos e quanto a desvios de verba das bilheterias.

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