“Não é momento para falarmos em abertura”, diz líder de manifestação pró-isolamento, em Goiânia

“Se o pico aumentar e ainda assim resolverem abrir, vamos movimentar um grupo bem maior, em torno de 700 pessoas. Vamos para porta do Palácio”, garante Osmar Lisboa

Foto: Reprodução

Enquanto uma fila de aproximadamente 2km de carros se desloca do Paço até a Praça Cívica, em Goiânia, com manifestantes que pediam a reabertura do comércio na capital e em todo o Estado, na porta da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) a situação era contrária: manifestantes pediam a manutenção do fechamento do comércio em toda Goiânia.

O movimento foi encabeçado pelo líder comunitário Osmar Lisboa. Foi ele quem organizou e mobilizou os manifestantes para o encontro desta manhã em frente a Fieg. “Fizemos tudo de maneira pacífica e, claro, respeitando as recomendações de distanciamento, prevenção e combate à Covid-19”, declarou ao Jornal Opção.

Ele explicou também que o movimento foi realizado na tentativa de sensibilizar as autoridades quanto a necessidade de se preservar vidas. “Temos uma preocupação muito grande com a nossa saúde e a saúde de nossos familiares. Minha irmã, por exemplo, tem só um pulmão. Ou seja, se for atingida por essa doença sabemos que não irá resistir”.

Lisboa lembrou que ainda não atingimos o pico da doença e que, por isso, devemos nos manter isolados até que os casos comecem a declinar no Estado. “Vemos os noticiários mostrando a crescente quantidade de mortos e infectados em todo o País. Não é momento para falarmos em abertura do comércio, temos que esperar um pouco mais antes disso”.

A manifestação foi pacífica e aconteceu sem carros de som. “Tinhamos ali apenas faixas e cartazes para alertar as autoridades quanto ao número de mortos e infectados”. Os participantes também aderiram a vestimenta preta em sinal de solidariedade aos familiares e vítimas do coronavírus.

Segundo Lisboa, o encontro contou com aproximadamente 200 pessoas. No entanto, uma maior está por vir caso o pedido não seja acatado: “Se o pico aumentar e ainda assim resolverem abrir, ainda que parcialmente, vamos movimentar um grupo bem maior, em torno de 700 pessoas. Vamos para porta do Palácio, na Praça Cívica”.

Em resposta à manifestação, o presidente da Fieg, Sandro Mabel, disse se solidarizar com as 104 vítimas da Covid-19 no Estado, mas considerou que a iniciativa foi encomendada e que a maioria das pessoas não sabiam a razão de estarem ali. Confira nota na íntegra:

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) é solidária às famílias das vítimas da Covid-19 e expressa os mais sinceros sentimentos nesse momento de luto, assim como reafirma a defesa da democracia, da liberdade de expressão e do contraditório.

Porém, repudia a manifestação, evidentemente encomendada, realizada nesta quinta-feira (28/05) em frente à Casa da Indústria, contrária a abertura do comércio e mal executada, já que a Fieg é representativa do setor industrial, e não do comércio e serviços.

A referida manifestação foi liderada pelo senhor Osmar Lisboa, servidor público do município de Senador Canedo, município origem da grande maioria dos manifestantes, muitos dos quais nem sabiam o porquê de estarem lá.

A Fieg tem travado intensa luta em favor da preservação de vidas, pois acredita que a crise econômica desencadeada pela Covid-19 poderá matar muito mais que a contaminação pelo vírus, e não vai se calar diante de manifestações de cunho intimidatório. Por isso, irá acionar a identificação e responsabilização dos manifestantes, assim como vai solicitar aos órgãos competentes e à Prefeitura de Senador Canedo o corte do ponto daqueles servidores que deveriam estar trabalhando no momento da manifestação.

Por fim, reiteramos nosso apoio às entidades empresariais do setor de comércio e serviços. Entendemos que é possível a reabertura com responsabilidade e protocolos preventivos à Covid-19, defendendo a saúde, mas sem abrir mão do emprego e da renda da população goiana.

SANDRO MABEL
Presidente da Fieg

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