Não é dieta, é plano de vida

Para além da busca pelo corpo perfeito, a alimentação saudável virou um estilo de vida que ganha cada vez mais adeptos  

Fotos: Reprodução / Instagram

“O foco maior é a saúde e a qualidade de vida”, diz a nutricionista Naiara Rochet | Fotos: Reprodução / Instagram

Ter um acompanhamento profissional de planejamento alimentar parece coisa de atleta profissional, mas qualquer pessoa pode se beneficiar de um plano individual de cardápio personalizado, desenvolvido a partir da própria rotina e objetivos pessoais. É o que defende a nutricionista e especialista em nutrição esportiva, Naiara Rochet.

Com mais de 25 mil seguidores no Instagram e uma rotina de alimentação e exercícios de dar inveja, Naiara defende que não existe caminho fácil. Quem procura um nutricionista apenas com o objetivo de emagrecer provavelmente não entende que a mudança na alimentação como uma escolha permanente de estilo de vida traz benefícios muito além da perda de peso.

“Não é dieta”, reforça Naiara. “É preciso tirar da cabeça essa ideia de uma coisa passageira e que o único objetivo é emagrecer. Nosso foco maior é a saúde e a qualidade de vida. Mais importante que cortar gorduras e carboidratos, por exemplo, é focar no tipo de gordura e no tipo de carboidratos que o paciente está ingerindo, escolher produtos que tenham maior qualidade nutritiva”.

Quem procura o consultório de Naiara para uma primeira avaliação, passa por uma consulta de uma hora e meia, uma verdadeira investigação dos hábitos de vida, rotina e histórico do paciente para então dar início a um planejamento de cardápio específico para aquela pessoa.

No primeiro encontro nutricionista-paciente, toda a investigação inclui ainda uma avaliação física antropométrica, que vai ajudar a entender a composição corporal do paciente, bem como seus objetivos específicos, para então adequar o plano alimentar de forma qualitativa.

Não tem milagre

A nutricionista, porém, faz um alerta: a reeducação alimentar é para a vida toda. “Os pacientes que realmente conseguem ter sucesso quase sempre preferem continuar com o tratamento, pois sempre tem novidades e a dieta vai evoluindo. A própria pessoa começa a entender o quanto é benéfico ter uma alimentação saudável e que a manutenção não é tão difícil assim.”

É o caso da advogada Aline Sena, 37, que segue um plano alimentar há quatro anos. “Vivia lutando com a balança, mas esta foi a primeira vez que consegui realmente chegar a um resultado satisfatório. Das outras vezes eu até conseguia emagrecer, mas na hora da manutenção do peso eu não conseguia. Como não era nada fora da minha realidade, a adesão ao estilo de vida aconteceu de forma natural, pela primeira vez percebi que não estava sofrendo sozinha, que não era um extraterrestre. É difícil para todo mundo, abrir mão de um hábito, tem que ser persistente e ir se adaptando até conseguir alcançar o cardápio ideal.”

Aline explica que o cardápio que segue hoje é totalmente diferente do primeiro, desenvolvido há quatro anos. “Os alimentos que não eram saudáveis, mas que faziam parte do dia a dia foram sendo adequados na quantidade até que consegui eliminar completamente.”

Para a advogada, o diferencial do planejamento alimentar é que a mudança de hábito acontece de forma gradual. “Sempre que ia a um nutricionista a primeira coisa que ouvia era não pode comer isso ou aquilo e ainda: ‘para fazer tratamento comigo tem que mudar radicalmente’. Mas isso não ajuda em nada. Para conseguir mudar os hábitos alimentares tem que ter persistência para que as coisas mudem devagar”, sentencia.

O difícil é começar

Depois que nutricionista e paciente definem um novo cardápio, os primeiros 15 dias são os mais desafiadores pois é o período em que o corpo ainda está acostumado com a alimentação antiga, ou seja, mais carboidratos e gorduras além de alimentos com maior quantidade de sal e açúcar.

“Os primeiros 15 dias são os mais críticos”, explica Naiara. “Depois desse período, o paciente já começa a sentir os benefícios da nova alimentação e a partir daí fica mais fácil. Ele passa a perceber a diferença entre fome e vontade de comer, por exemplo. Sem o excesso de açúcar e sal dos produtos industrializados, o paladar fica mais aguçado e a pessoa passa a sentir melhor o sabor dos alimentos; enfim, consegue enxergar o ganho em qualidade de vida.”

A advogada Aline relata que tanto no começo da reeducação ou depois de uma “escapulida”, a dificuldade dos primeiros 15 dias são sempre as mesmas. “Se viajo ou saio da minha rotina, quando eu volto para minha alimentação habitual sinto a dificuldade dos 15 dias. São sofridos, mas passadas essas duas semanas, sigo o cardápio com tranquilidade. Além disso, volto a ter mais energia, ficar mais disposta e até a concentração no trabalho melhora.”

Juliana Cavalcante: "Estou no meu melhor momento" | Foto: Reprodução / Instagram

Juliana Cavalcante: “Estou no meu melhor momento” | Foto: Reprodução / Instagram

Apesar de hoje seguir um cardápio rigoroso de restrição alimentar, a farmacêutica e representante comercial, Juliana Cavalcante, 37, conta como foi difícil deixar a antiga alimentação.

Depois de receber o diagnóstico de intolerância a glúten e lactose, ela se viu obrigada a fazer uma mudança radical em sua alimentação. “Há seis anos descobri que tinha desenvolvido intolerância e há três anos faço acompanhamento e reeducação alimentar. Hoje sei que estou no caminho certo, mas quando recebi o diagnóstico foi muito difícil. Entrei num processo depressivo e sofria com compulsão alimentar. Começava a fazer dieta, mas logo caia em tentação e toda vez adoecia muito.”

Juliana relata que chegou a ficar vários dias internada com crises intestinais depois de ingerir alimentos aos quais tem intolerância. Até que decidiu mudar. “Percebi que, no meu caso, ou eu tratava de seguir a restrição alimentar ou ia morrer. Agora, cuido da minha alimentação com muita naturalidade, passei a me interessar por nutrição e estudo muito sobre o assunto. Estou sempre em busca de aprimorar meu cardápio e hoje posso dizer que estou no meu melhor momento”, afirma.

Estilo de vida

Especialista em nutrição esportiva, Naiara Rochet atende em seu consultório, em uma academia de Crossfit em Goiânia, mas também “atende” via WhatsApp, Instagram e Snapchat. A nutricionista usa as redes sociais para mostrar como é o seu dia a dia e ainda dar dicas de receitas e alimentos saudáveis e, principalmente, como um meio de ficar mais próxima de seus pacientes.

Juliana, paciente de Naiara, que tem restrição alimentar de glúten e lactose, está sempre em contato com a nutricionista para tirar dúvidas e conversar sobre alimentação. “Eu não moro mais em Goiânia, hoje estou em Brasília e também viajo muito a trabalho, mas continuo meu acompanhamento com ela pois criamos uma relação de amizade. Se quero comer algo, se vou viajar ou tenho um novo objetivo nutricional, eu entro em contato e vamos conversando à distância mesmo”.

Já no Instagram e Snapchat, Naiara gosta de dizer que vive o que prega. “O que eu posto nas minhas redes sociais não é marketing, é a minha vida, meu dia a dia”, afirma Naiara. “Eu busco mostrar a minha realidade, o meu estilo de vida. Então tem dicas, algumas fotos do que eu estou comendo, dos exercícios que eu faço. Mas gosto sempre de lembrar que o que funciona para uma pessoa, em questão de alimentação, não quer dizer que vai funcionar para outra, por isso sempre indico a procura de acompanhamento profissional.”

Para além das redes sociais, a “gourmetização” do estilo de vida saudável pode ser uma ajuda para quem busca mudar a alimentação. Cada vez mais restaurantes seguem essa linha saudável e até mesmo na hora de fazer compras, tem sido mais fácil encontrar uma maior variedade de produtos nas prateleiras dos supermercados.

Em contrapartida, para quem realmente adere ao estilo de vida, pode ser difícil a convivência com quem ainda não abre mão de pizza, hambúrguer e afins. A advogada Aline Sena, que segue um plano alimentar há quatro anos, explica como faz para seguir com o cardápio balanceado.

“Na minha casa, minhas filhas (gêmeas, de 1 ano e 9 meses) e meu marido não têm o mesmo conceito de alimentação que eu tenho, mas acabam comendo melhor por minha causa. Nem sempre acompanho meu marido quando ele quer comer um fast food ou tomar uma cerveja, por exemplo, mas acredito que o que tem que funcionar é o respeito.”

Para Juliana, quem segue a restrição alimentar tem que se preparar e se adaptar ao lugar em que está. “Quando saio com meus amigos já aviso que eles podem ficar à vontade para comer sobremesa ou o que quiser. Não sofro com isso. Se quero comer doce, tenho minhas frasqueiras e sempre levo meus lanchinhos para todo lugar, isso para mim já é natural. Eu não posso comer de tudo, então é uma questão decidir qual caminho quer seguir.”

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Cristian Luís Litwin

Texto muito bom, nos mostra que devemos manter um estilo saudável de vida sem demonizar tanto as coisas…Cada um tem que encontrar o seu caminho e se adequar ao que almeja ;) Estou estudando muito o assunto Alimentação Saudável para quem deseja Emagrecer sem Sofrimentos, como passar fome ou contar calorias, coisas que sabiamente não surtem resultados expressivo a médio e longo prazo. E encontrei este valioso conteúdo em vídeo e áudios, onde após ver me obriguei a reuni-lo e compartilha-lo. Pois a maioria esmagadora da população não sabe nem como fazer e nem por onde começar… Aqui esta o… Leia mais