“Não atendo criança”, diz médica que se recusou a atender bebê morto no RJ

Breno Rodrigues Duarte, de 1 ano e 6 meses, morreu esperando atendimento. Haydee Marques da Silva foi até a casa da criança e se recusou a prestar socorro

Ambulância no dia do ocorrido | Foto: Reprodução

Rafaela Bernardes

A médica Haydee Marques da Silva, de 66 anos, que ficou conhecida nacionalmente na última semana por se negar a prestar socorro a Breno Rodrigues Duarte da Silva, de 1 ano e 6 meses, admitiu, durante entrevista exclusiva ao jornal carioca “Extra”, que “não atende crianças”.

“Quando me passaram o atendimento, na porta do condomínio, eu vi o nome, o plano, a idade e o que o paciente tinha. E eu disse que não ia atender por ser uma criança muito pequena e que já tinha um profissional de saúde [técnica de enfermagem do Home Care] em casa, sem falar que não era um caso grave. Não atendo criança”, garantiu.

Breno morava com os pais no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do RJ, e sofria de uma doença neurológica chamada Síndrome de Ohtahara (que causa epilepsias muito severas). A criança morreu uma hora e meia depois que teve seu atendimento negado por Haydee e esperando por outro atendimento médico.

Na entrevista, a profissional afirmou ainda que não considera sua atitude uma omissão de socorro, já que o quadro da criança não era considerado grave. “O menino não faleceu imediatamente, morreu só depois de uma hora e meia. Eu não sou pediatra e nem neurologista e se tratava de uma criança muito pequena com quadro neurológico. Sem falar que eu estava muito estressada e sem condições psicológicas para atender. Naquele dia, eu nem ia para o plantão”, justificou.

A médica negou que tenha rasgado o pedido de atendimento da criança e contou ainda que enfrentava problemas pessoais com o motorista da ambulância e que o homem, inclusive, já havia lhe agredido durante o trabalho. O motorista do veículo nega as acusações.

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