“Não adianta colocar o Papa como Ministro da Saúde, se o presidente da República não mudar o comportamento negacionista”, afirma deputado

A maioria do Congresso Nacional, sobretudo a bancada goiana, fez a defesa do nome da médica Ludhmila Hajjar para assumir o Ministério

Após a médica goiana Ludhmila Hajjar ter recusado oficialmente o convite para assumir o Ministério da Saúde, deputados federais goianos se posicionaram diante da repercussão dessa possibilidade. Ao Jornal Opção, o deputado Rubens Otoni (PT) disse a atitude de Ludhmila demonstra “dignidade, equilíbrio e maturidade diante de um governo que não quer cuidar das pessoas.”

O deputado José Nelto (Podemos) faz a defesa de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deveria colocar no Ministério “uma mulher determinada, que sabe lidar com a doença. Ela [Ludhmila Hajjar] é uma cientista. Uma médica respeitada no Congresso Nacional”.

Nessa perspectiva, José Nelto afirma que o Brasil está divido em relação ao comportamento diante da pandemia do novo Coronavírus. “É assustador o que está acontecendo no país.  Estamos sem vacina, sem planejamento. Não adianta colocar o papa como Ministro da Saúde, se o presidente da República não mudar o comportamento negacionista”.

Para o deputado Elias Vaz (PSB), está claro que a dificuldade não é o nome para substituir Eduardo Pazuello, mas a postura do presidente Bolsonaro. “Ele é um negacionista, não respeita os protocolos mínimos de orientação ao combate da pandemia e a sua postura em relação a questão da vacina foi criminosa. Qualquer pessoa séria tem dificuldades em assumir um ministério no governo Bolsonaro”.

De acordo com Glaustin da Fokus (PSC), a maioria do Congresso Nacional, sobretudo a bancada goiana, fez a defesa do nome da médica Ludhmila Hajjar para assumir o Ministério. “Ela tem experiência para ajudar o Brasil nesse momento difícil. Confesso que fiquei triste. A minha torcida era grande. Ela é um mulher de um temperamento forte e eu tinha a convicção que era o melhor para o Brasil”.

Glaustin ainda faz críticas a atuação do ministro Eduardo Pazuello. “Nós precisaríamos de fato de alguém que entende de saúde. Com todo o respeito, o Pazuello é bom na área militar, no exército. Mas ele não sabe o que é o SUS. Nós precisamos de ajuda na saúde e nós ainda não temos a pessoa para fazer a gestão disso tudo”.

O deputado delegado Waldir Soares (PSL) defende a atuação das forças armadas do país, mas para o Ministério da Saúde acredita que deveria ser um profissional técnico para executar um planejamento nacional de vacinação.

“A Ludhmila é uma das médicas mais conceituadas do país. É uma pena que não tenha dado certo. Se sentiu ameaçada e não é justo que ela abre mão da sua carreira de sucesso e mude os seus valores para se tornar uma Ministra Cloroquina. Nós estamos em meio a uma pandemia, quase chegando a 300 mil mortes, e nós vamos manter um general no Ministério da Saúde”, criticou delegado Waldir.

Sobre os ataques e ameaças que a médica diz ter sofrido, Elias Vaz lamenta o ocorrido. “As pessoas que seguem o presidente com esse tipo de fanatismo também se comportam da mesma forma antidemocrática. O Bolsonaro é o grande inspirador dessas pessoas. E, inclusive, estimula esse tipo de comportamento lamentável na nossa sociedade”.

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