“Nada mais é do que uma privatização”, diz presidente da Adufg sobre proposta do MEC

Segundo o sindicalista, o programa incentiva a competição entre os departamentos para ver quem realiza a captação de mais recursos do setor privado

Foto: Arquivo Pessoal

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o Governo Federal anunciaram nesta quarta-feira, 17, o plano para que as universidades federais captem recursos próprios junto ao setor privado. A informação é do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg). O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, participa do encontro.

Parte das propostas já foi apresentada aos reitores na tarde de terça-feira, 16, conforme noticiado pelo Jornal Opção. Entre as ações antecipadas, está a venda de imóveis ociosos das universidades para complementar seu orçamento. Outra proposta foi a de criação de fundos patrimoniais. Fora isso, o que se sabe é que o governo apresentará um programa chamado Future-se e a adesão a ele será opcional.

Future-se

De acordo com MEC, o Future-se tem o objetivo de fortalecer a autonomia financeira de universidades e outros institutos federais. A apresentação completa do programa está sendo realizada na manhã desta quarta-feira. Segundo o Estadão, o Future-se seria sustentado por um fundo soberano de conhecimento privado, e para disputar as verbas as instituições precisariam investir em gestão, governança, empreendedorismo, pesquisa, inovação e internacionalização. A matéria também fala em adesão às Organizações Sociais (OS) para serviços de manutenção, segurança e limpeza.

Protestos

“Enquanto parte do programa era apresentado, a PM entrou em confronto com estudantes que protestavam contra o Future-se do lado de fora do MEC. Encabeçada pela UNE, pela ANPG e pela UBES, os estudantes foram dispersados à força embora seu objetivo fosse apenas falar com os reitores e lhes entregar uma carta”, informou a Adufg.

O sindicato afirma que, durante o confronto, dois estudantes foram detidos por desacato e dois precisaram de atendimento hospitalar: um após receber um golpe forte de cassetete no peito e outro por causa do spray de pimenta nos olhos.

Fim da gratuidade?

O presidente da Adufg, professor Flávio Alves da Silva, afirmou à reportagem que no encontro desta quarta-feira, 17,os estudantes voltaram a se manifestar em frente ao Inep, mas não houve atrito. Ele explicou que o MEC apresentou as linhas gerais do Future-se à imprensa, sem detalhes. “Está tudo nebuloso, mas até o momento sabemos que o foco do programa é a captação de recursos para autonomia das universidades federais”, explicou.

“O programa incentiva a competição entre os departamentos para ver quem realiza a captação de mais recursos do setor privado. Resumindo, nada mais é do que uma privatização de setores da universidade”, argumentou o professor. Para ele, o fim da gratuidade é uma possibilidade, “apesar de o MEC dizer que não”. 

Próximos passos

Ainda na tarde de hoje, os reitores irão realizar uma coletiva de imprensa, em Brasília, para tentarem explicar o que foi possível entender do programa Future-se até agora. Mas, segundo informações preliminares, a falta de explicações concretas sobre o programa e objetivos do MEC para as universidades é consenso entre os representantes das universidades.

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