Na tentativa de estreitar laços, diretores da Enel visitam Alego, mas deputados saem insatisfeitos

Henrique Arantes (PTB), que é autor de requerimento de instalação de CPI que investiga a fornecedora, disse que as explicações dadas na reunião não foram convincentes

Foto: Divulgação

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Lissauer Vieira (PSB), recebeu, na manhã desta segunda-feira, 25, a visita de membros da diretoria executiva da Enel Brasil e Enel Goiás. Durante a reunião –  de aproximadamente 1 hora e meia – foram colocadas em pauta as principais queixas da população goiana, especialmente as voltadas aos anseios do interior do Estado.

Os deputados estaduais Cairo Salim (Pros) e Henrique Arantes (PTB), que instaurou uma CPI para investigar a fornecedora, também estavam presentes. O último, em entrevista ao Jornal Opção revelou que os parlamentares saíram insatisfeitos do encontro. “Eles não tocaram no assunto da CPI, mas insistiram que o serviço prestado melhorou, e nós sabemos que não”, disse.

Henrique, que deixou a reunião antes de seu encerramento, contou, ainda, que as explicações dadas pelos diretores para as falhas no fornecimento não foram convincentes. “O serviço está piorando e nós vamos continuar nosso trabalho na Casa, tanto eu quanto o deputado Cairo e o presidente Lissauer não ficamos satisfeitos e nem convencidos”, pontuou.

Em nome da Enel Brasil, compareceram o presidente da multinacional, Nicola Cotugno, e o diretor institucional, José Nunes de Almeida. Também estiveram presentes no encontro o presidente da Enel Goiás, Abel Alves Rochinha; o diretor de Relações Institucionais, Humerto Estáquio; e, por fim, o diretor de Infraestrutura, Guilherme Lencastre.

Logo após o término da reunião, Lissauer ressaltou que todos se mantiveram abertos ao diálogo. “Levantamos os pontos de dificuldade e percebemos que existe uma boa vontade para resolve-los”. O presidente considerou também que a Enel está “passando por uma fase de adaptação no Estado” e que o fornecimento de energia elétrica “não está à altura da população goiana e também dos investimentos que tem chegado ao Estado”. 

Por sua vez, o presidente da Enel Goiás, Abel Alves Rochinha, lembrou que a empresa já investiu R$ 800 milhões ao longo dos dois primeiros anos e, mesmo tendo recebido a companhia “sucateada”, não deixou de apresentar resultados. “Estamos no processo de colocá-la na linha. Os números de 2018 foram melhores do que o contrato nos exigia. […] Quando cheguei a Goiânia, a palavra de ordem era: ‘choveu, acabou a energia’. Hoje, nós, moradores da capital, sabemos que isso não acontece mais”.

Rochinha faltou também sobre as ações em benefício dos pontos mais afastados. “Algumas áreas do Estado são mais distantes e ainda enfrentam problemas. As pessoas reclamam, e com razão. Não tiro nossa reponsabilidade. […] O desafio agora é chegar aos pontos mais distantes. 97% das intervenções que iremos fazer na rede serão no interior do Estado. O nosso foco agora é esse.” 

Foto: Marcello Dantas/ Jornal Opção

CPI

Por iniciativa de Arantes, foi apresentado, junto ao líder do Governo, deputado Bruno Peixoto (MDB), um requerimento solicitando a criação de uma CPI para investigar a Enel. O objetivo é apurar os termos contratuais da privatização, bem como os termos de investimento da empresa para o ano de 2018 e anos subsequentes.

Em justificativa, Henrique Arantes disse que a CPI investigará, inicialmente, o termo de privatização da Celg D, especialmente no que diz respeito ao compromisso da empresa em investir R$ 1 bilhão por ano. “Temos documentos em que a Enel afirma que investiu só R$ 800 milhões no ano passado. Vamos fazer a devida investigação e, caso se comprove que a companhia é devedora, vamos cobrar dela multa e, sobretudo, respeito com a população goiana”.

Segundo o parlamentar, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirma que a Celg-Enel é, atualmente, a pior empresa fornecedora de energia do Brasil. Além de reclamações de serviço de baixa qualidade, a Enel também teve o maior reajuste no preço do Kilowatt em todo o Brasil. Enquanto a média de reajuste no País foi de 10%, na capital goiana, os preços subiram mais de 30%.

Em entrevista, o presidente da Alego lembrou que a CPI é feita por meio da participação dos parlamentares e que, não havendo recuo das assinaturas – que já supera o mínimo suficiente para abertura da investigação –  “tem que andar”. “Se os deputados entenderem que ela deve continuar, será feita com muita clareza, transparência e diálogo. A Enel terá a oportunidade de resolver e trazer solução para os problemas de Goiás.” 

Por sua vez, o presidente da Enel Goiás, considera o contrato “muito simples”. Sobre a questão financeira, disparou: “fala exclusivamente da saúde financeira da companhia. Que foi a primeira coisa que fizemos. Tivemos que colocar um bocado de dinheiro para pagar as contas atrasadas e colocarmos tudo em dia”. Para ele, o contrato é de leitura “fácil e tranquila”.

A respeito do investimento anual equivalente a R$ 1 bilhão, Rochinha foi incisivo: “não há nenhum número colocado sobre isso”. Caso a CPI prossiga no Legislativo o presidente garantiu que serão prestados todos os esclarecimentos necessários. “Hoje foi uma primeira iniciativa. Trouxemos toda a diretoria para conversar. Ou seja, quanto mais diálogo tivermos, melhor para todos. O importante é ouvir a sociedade, principalmente por meio de seus representantes. Assim temos ideia do que está acontecendo, o que devemos corrigir e como atuar”, pontuou. 

Enel

A Enel é uma multinacional presente em 34 países e espalhada por cinco continentes. Sua rede de atendimento aborda cerca de 71 milhões de usuários em todo o mundo e se posicionam entre as líderes europeias. O grupo Enel é formado por mais de 70 mil pessoas. 

O portfólio de usinas de geração de energia é diversificado: hidrelétricas, eólicas, geotérmicas, solares, termelétricas, nucleares e outras fontes. A multinacional assegura que quase metade da energia gerada é produzida sem emissão de dióxido de carbono, estando entre as maiores companhias de energia elétrica nas Américas. A empresa abastece as maiores cidades da América do Sul como: São Paulo, Rio de Janeiro, Bogotá, Buenos Aires, Santiago e Lima.

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