Na mesma sentença de Alcides Rodrigues, contadora é condenada a 5 anos e 9 meses de prisão

Interceptações telefônicas revelaram que acusada tinha a incumbência de buscar notas fiscais frias para encobrir a verdadeira movimentação. Waldete Faleiros não foi encontrada pela reportagem

                               Foto: Ana Paula / Agência Brasil

A sentença proferida pelo juiz eleitoral Antônio Cézar Meneses contra o deputado federal e ex-governador do Estado, Alcides Rodrigues (PRP), revelou uma série de outros crimes praticados contra a administração pública. As acusações se estendem ainda à pessoas ligadas ao diretório do partido político do então candidato e com protagonismo suficiente para realizar as manobras necessárias para encobrir movimentações fraudulentas.

Conforme mostrado pelo Jornal Opção, a condenação dos envolvidos no esquema de corrupção é resultado de uma denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) e diz respeito à prática de crimes eleitorais cometidos durante a campanha de 2006. Os demais envolvidos, que também foram acusados e condenados por práticas criminosas, tiveram, agora, suas identidades reveladas pela Justiça.

Segundo a decisão proferida pelo magistrado, uma das pessoas envolvidas no esquema criminoso é a mineira Waldete Faleiros. Ela aparece na sentença como operadora contábil-financeira. Conforme mostram as gravações realizadas durante as investigações, seria ela a responsável por fazer a regularização de valores na contabilidade, de modo a simular fluxos de importâncias, tornando-as, aparentemente, legítimas.

Provas

As interceptações telefônicas realizadas pela investigação revelaram que ela tinha a incumbência de buscar notas fiscais frias, visando encobrir a verdadeira movimentação. As gravações mostram que ela cuidava do direcionamento de receitas e despesas, além do preenchimento de documentos fiscais, não só para a agremiação partidária, como também para vários candidatos.

O juiz considerou ainda que as gravações em que a acusada aparece conversando com um interlocutor deixam claro que notas fiscais eram emitidas “conforme a necessidade de calçamento da contabilidade eleitoral, e não conforme a efetiva movimentação ocorrida, o que as torna ilegítimas”, argumenta o magistrado.

Em outro trecho da sentença o juiz argumenta que as provas não deixam dúvidas era ela quem redigia os contratos de campanha, e também os adulterava, conforme a necessidade de adequação das prestações de contas dos candidatos e partidos envolvidos no esquema.

As conversas levantadas por meio da interceptação telefônica demonstram, em outra ligação, realizada em 8 de dezembro de 2016, que a acusada se refere à diligência da Polícia Federal e trata sobre “a necessidade que tinham de ter retirado equipamentos de informática e documentos do local antes, mostrando a existência de ilícitos”.

segundo o magistrado, “A participação da acusada na adulteração do local da diligência realizada pela Polícia Federal é evidente”. Na conversa que a contadora teve dez dias depois, é demonstrada a prática de farsa fiscal e contábil aplicada por Faleiros. Em um trecho da gravação ela diz a seu interlocutor: “Eu tô precisando de fazer uma alteração… Para eu sacar um dinheiro…” e “…Teria como você me arrumar uma nota?”. O magistrado considera ainda que em certas situações sequer havia a contabilização de valores.

Em outro trecho de uma das conversas anexadas à sentença, Faleiros dialoga com seu interlocutor que diz: “É o seguinte… É… Tem que fazer um acerto via diretório” e questiona posteriormente “(…) Como é que faz pra esse dinheiro entrar no diretório?”. A acusada, por sua vez, responde: “Tem que ter o… a fonte”. O interlocutor questiona: “Você tem?”. E ela indaga: “Quanto?… É muito?”. Em seguida, o homem do outro lado diz: “50… É isso ai… Qualquer tanto…”. Ela pergunta: “Cinco zeros?”. O interlocutor confirma e Faleiros dispara: “Uai… Podemos…”.            

Conclusão

Foi decretada pelo magistrado uma pena privativa de liberdade definitiva para a acusada de 5 anos e 9 meses, além de 42 dias-multa. A sentença estipula o valor de um salário mínimo para cada dia-multa ao tempo dos crimes, a ser monetariamente corrigido quando iniciada a execução. A pena a imposta deverá ser cumprida, inicialmente, no regime semi-aberto.

O documento ressalta ainda que todos os acusados foram citados e se defenderam efetivamente dos termos da denúncia, oportunidade em que refutaram as imputações da acusação. Waldete Faleiros foi procurada, mas não foi encontrada pela reportagem.

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