Na luta há um ano, mães relatam descaso da gestão Iris ao fechar turmas do nono ano

Aguardando desenrolar na justiça, goianienses tiveram que tirar de onde não tinham para colocar filhos em escola particular

Foto: Divulgação

Na segunda-feira (26/11), o Jornal Opção fez uma matéria mostrando a dificuldade que a comunidade escolar passa desde que o prefeito Íris Rezende (MDB) decidiu fechar turmas do ciclo 3 do ensino fundamental, ou seja, sétimo, oitavo e nono ano. Mães que estão nessa luta há mais de um ano relataram, na manhã desta terça (27/11), o que têm enfrentado desde que foram impedidas de rematricular os filhos em 2017.

Alan Aparecida de Sousa, mãe de um garoto que fazia o oitavo ano em 2017 na Escola Municipal Prof. Deushaydes Rodrigues de Oliveira, no Celina Park, conta que a Prefeitura só avisou aos estudantes que aqueles que fariam o nono ano em 2018 não poderiam se rematricular na unidade em 17 de novembro de 2017. “Não dava tempo de nós fazermos mais nada”, relata.

Ela conta que foi um desespero à época e até chegou a matricular seu filho em uma escola estadual no Jardim Europa. Chegando lá, no entanto, descobriu que sua matrícula havia sido realocada para uma escola em Aparecida de Goiânia. “Não tinha como eu colocar meu filho lá, era muito longe e ele não anda de ônibus sozinho ainda”, conta.

A solução encontrada por ela foi pagar uma escola conveniada. “Mas temos passado por muito aperto por causa disso, para falar a verdade só não ficamos sem comer, porque contamos com ajuda, mas não está fácil”, disse Alan, que afirmou que, além da mensalidade, ainda tem que arcar com o material escolar.

Desde o anúncio da Prefeitura, os país da escola Deushaydes têm se mobilizado. Segundo Alan, eles fizeram um abaixo assinado para impedir a extinção das turmas. “Eu andei no Parque Oeste, no Celina Park, no El Dourado e conseguimos muito mais assinaturas que o necessário, mas ainda assim não fomos ouvidos”.

Processo

Depois disso, os pais e professores contaram com a ajuda do vereador Jorge Kajuru (PRP), que conseguiu marcar um encontro com a promotora Maria Bernardete, da 42ª Promotoria no Ministério Público. O Jornal Opção tentou contato com Kajuru e com a promotora para pegar mais detalhes, mas não conseguiu retorno.

Segundo Alan, foi assim que conseguiram marcar audiência contra a Secretaria Municipal de Educação (SME). “Foi no dia 20 de setembro, nós relatamos todo o problema para o juíz, que disse que ia convocar o secretário, que não compareceu à audiência, e, então, nos responderia sobre o desenrolar do processo, mas até hoje nada”, conta Alan, que já está sem esperanças, afinal seu filho já completou o nono ano sem conseguir retornar à sua escola de origem.

A reportagem entrou em contato com o juíz José Proto de Oliveira, da 4ª Vara da Fazenda Pública Municipal, responsável por julgar a ação movida pelo Ministério Público contra a decisão da secretaria. Sua equipe disse que, depois da audiência, foi dado um prazo de 20 dias para as partes emitirem alegações.

O MP apresentou os argumentos das mães e, ainda, rebateu a alegação do Município de que com a extinção do Ciclo Três, seria possível abrir mais turmas na educação infantil. Segundo o MP as escolas não têm estrutura para isso. A Prefeitura, por sua vez, argumentou que já estaria fazendo as adaptações para que as escolas pudessem receber as crianças e que os alunos do Ciclo Três já estariam sendo transferidos para o Estado.

De acordo com o juíz José Proto, as alegações se finalizaram no dia 11 de outubro e a Vara tem três meses para emitir a sentença final. Mas acredita-se que até o dia 9 de dezembro a sentença já esteja pronta, data em que o magistrado entra de recesso.

As mães, apesar de já terem declarado causa perdida, porque seus filhos já vão para o Ensino Médio em 2019, aguardam ansiosas a sentença para que outras crianças não sejam tão prejudicadas quanto as delas foram. Miriam Baltazar conta que, assim como Alan, teve que matricular sua filha em uma escola particular, onde conseguiu bolsa de 50% e a avó da menina paga a outra metade.

“Ela sofreu muito, ela gostava muito da escola Deushaydes, a gente fez de tudo para não ter que mudar ela de lugar, mas a Prefeitura não ajudou”, conta. Segundo ela, a escola estadual mais próxima de sua casa ainda era longe e seria pouco viável para sua filha estudar lá. “Ainda bem que tive a ajuda da avó dela, mas imagina outros pais que não tiveram a mesma sorte”, questiona.

A comunidade escolar segue, portanto, aguardando o desenrolar de toda essa mudança a que o Município lhes forçou. Assim como essas mães, pais da educação infantil passam pelo mesmo drama, como mostrado em reportagens do Jornal Opção. Cabe saber, agora, como o prefeito vai responder às ações judiciais. A SME não respondeu à solicitação da reportagem de resposta ao caso.

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