Na linha de frente da pandemia, profissionais da Saúde defendem isolamento intermitente

Ao Jornal Opção, presidente do Conselho Regional de Enfermagem destaca registro de quase 2 mil trabalhadores contaminados e questiona: “Quem vai cuidar das pessoas?”

O debate sobre isolamento social ganha novas formas quando feito entre profissionais da Saúde. Apesar de dividir opiniões em outros setores, o distanciamento social é lido entre trabalhadores da linha de frente no combate à Covid-19 como único caminho para manter em controle tanto a vida da população como as próprias.

Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Corengo), Ivete Santos Barreto, destaca que quase 8% do total de contaminações do Estado foram registradas em trabalhadores da Saúde.  “Se não tivermos esses profissionais que estão sendo capacitados, quem vai cuidar das pessoas? Que força de trabalho vai ser recrutada para trabalhar?”, indaga a representante.

Conforme relembra Ivete, o setor já tentava pressionar as autoridades na busca por medidas mais enérgicas que garantissem isolamento social efetivo em Goiás. “Nós entendemos que o isolamento somado às outras medidas, como o rastreamento de contaminações, é a única forma para que o sistema não entre em colapso”, afirma a presidente, destacando que o entendimento é baseado em relatórios científicos.

“Se o sistema entra em crise, os trabalhadores também entram. Vimos isso em Manaus, que quando teve a Saúde colapsada registrou quantitativo absurdo de profissionais contaminados e mortos”, salienta Ivete.

Quantitativo finito x contaminados

Sobre a realidade na pandemia em Goiás, que por meses esteve entre os Estados com menor avanço da doença, mas que agora está em curva ascendente, a presidente do Corengo afirma que o tempo de maior tranquilidade foi hábil para preparar os profissionais, mas que, apesar disso, há número finito para enfrentar a crise de saúde.

Por hora, no entanto, Ivete destaca que há segurança sobre os números atuais de trabalhadores, que se totalizam 60 mil, sendo 25 mil enfermeiros e 35 mil técnicos. Apesar disso, se o ritmo de contaminação entre esses profissionais avançar, há risco de faltarem pessoal. Até o boletim da  segunda-feira, 29, já eram mais de 1.700 infecções por coronavírus entre trabalhadores da área.

Quando perguntada sobre o que pode explicar as contaminações, já que há cobrança por cumprimento de protocolos rígidos e uso de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), Ivete explica que se dá por razões diversas.

“No início fizemos muitos registros de falta de EPIs ou  de equipamentos inadequados, mas já superamos essa parte. O que acontece em paralelo é a dificuldade do profissional em se desparamentar corretamente”, conta a presidente, que explica ter o Corengo e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) buscado munir a área a partir de cursos e orientações online.

A representante finaliza afirmando que a nova medida de isolamento adotada no Estado é a possibilidade de não sofrerem com sobrecarga, além de representar um pouco mais de segurança às próprias vidas de enfermeiros, técnicos e todos os demais trabalhadores da linha de frente, podendo assim continuarem no atendimento a população na luta contra a pandemia.

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