Na Argentina, internautas culpam presidente por morte de promotor: “Cristina assassina”

Nisman denunciou a presidente da Argentina por suposto encobrimento do Irã em um atentado contra uma associação judia 

A morte do promotor Alberto Nisman nesta segunda-feira (19/1) gerou comoção em toda a Argentina. Nisman apresentaria nesta segunda-feira seu relatório sobre o atentado a um centro judaico que aconteceu em 1994 e matou 85 pessoas. A suspeita do promotor era de que o governo argentino pretendia encobrir a participação do Irã no ataque.

O promotor Alberto Nisman pediu a abertura de um inquérito contra a presidente Cristina Kirchner e o chanceler Hector Timerman. O depoimento de Nisman era esperado no congresso tanto por políticos oposicionistas quanto pelo governo.

O chanceler argentino ficou sabendo da morte do promotor em Nova York, onde participará da reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) Timerman afirmou ter sido surpreendido pela notícia com uma mensagem de texto.

O Secretário de Segurança argentino, Sergio Berni, disse que informou a morte à presidente Cristina Kirchner assim que recebeu a confirmação da notícia. Segundo ele, as evidências levam a crer que foi um caso de suicídio.

No entanto, a promotora Viviana Fein pediu prudência. Ela confirmou que foi encontrada uma arma calibre 22 no imóvel, mas evitou comentar as circunstâncias da morte. A mãe do promotor foi avisada no domingo (18/1) que ele não estava atendendo ligações. O governo argentino ofereceu apoio para esclarecer a morte de Nisman.

Repercussão

O juiz federal Ariel Lijo declarou que será aberto um processo judicial para apurar os atentados terroristas contra o Amia. O secretário-geral da presidência, Aníbal Fernández, afirmou que todo trabalho feito pelo promotor Nisman deve ser investigado.

Nos temas mais comentados na Argentina no Twitter estão as hashtags #MuerteDeNisman e   #CFKAsesina (numa alusão ao nome da presidente, Cristina Fernandez Kirchner), além do próprio nome da presidente e AMIA (sigla para Associação Mutual Israelita Argentina, centro comunitário que sofreu o atentado). As duas hashtags ficaram entre os assuntos mais comentados no mundo.

Pelo Facebook, manifestantes já organizam o movimento YoSoyNisman. O protesto está marcado para as 20h desta segunda-feira, horário local, e já tem mais de 13 mil pessoas confirmadas. Nos comentários há várias pessoas acusando Cristina e alguns chegam a pedir a renúncia da presidente.

Já na página oficial da líder da nação argentina, várias pessoas apareceram para prestar solidariedade e deixaram mensagens que dizem para a presidente investigar e mostrar quem são os verdadeiros culpados para que não duvidem mais dela.

A presidente Cristina Kirchner ainda não fez nenhum pronunciamento sobre o caso. Kirchner se manifesta frequentemente através de suas redes sociais, porém a última postagem dela – tanto no Facebook quanto no Twitter –  foi feita na quinta-feira (15/1), quando divulgou fotos de um encontro com o economista Thomas Piketty, autor do livro O capital no século XXI.

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