Museu de Nova Veneza preserva história da imigração italiana em Goiás

Memorial conta a vida do casal Oswaldo, ex-prefeito da cidade, e Edith Stival. Fundadores do festival gastronômico de Nova Veneza, eles inauguram o espaço neste sábado, 5, com propósito de reforçar a origem italiana do município

Depois de dois anos de obra, desde idealização até a construção, o Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro Oswaldo Stival & Edith será inaugurado neste sábado, 5, na cidade de Nova Veneza. Com objetivo de resgatar a trajetória da imigração italiana na região, o museu também narra a história dos fundadores do município. A iniciativa é da família de Edith e Oswaldo Stival, casal idealizador do Festival Italiano de Nova Veneza. A inauguração do espaço histórico ocorre às 18 horas e deve contar com a presença de autoridades, representantes da Embaixada Italiana no Brasil e população veneziana no geral.

Com fachada de vidro de 10 metros de altura, o local em que o Centro Cultural foi construído pertenceu aos pais do ex-prefeito da cidade, Oswaldo Stival. Agora, doado para ser o instituto, será abrigo do memorial que remonta a trajetória da imigração italiana na região. A proposta é que Ítalo-Brasileiro tenha peças antigas de duas famílias, Peixoto – Spessoto, na origem italiana – e Stival, que também as doaram para o acervo histórico. Porém, além dos objetos e reconstrução da casa do casal, para Alessandro Stival, médico, neto e um dos idealizador do centro histórico, o Centro Cultural também tem como missão reforçar a identidade da cultura italiana no estado. “Resgate histórico-cultural ajudará a cidade viver um futuro melhor”, diz Alessandro.

A face principal do Instituto é uma reprodução do Palazzo Ducale, ícone da cidade de Veneza, na Itália. Além de possuir outra parte que representa as edificações típicas dos canais venezianos. A concepção do projeto, direção criativa e direção executiva foram liderados por um filho e um neto do casal, respectivamente o agroindustrial Edwaldo Peixoto Stival e o médico Alessandro Stival. Edwaldo explica que família se inspirou nos espetáculos dos parques da Disney e no Show das Águas que acontece no Hotel Bellagio em Las Vegas.

Atualmente, a cidade com 30 km de distância da capital goiana também é sede do Festival Italiano de Nova Veneza. Idealizado por Edith e Oswaldo Stival, o evento é palco de decorações, danças típicas, cinema e gastronomia da Bella Itália. O evento de 14 anos propõe um resgate e imersão da cultura italiana. Oswaldo conta que desde que idealizou o Festival Italiano nos idos anos 2000, já tinha convicção de que a força do resgate histórico poderia fortalecer a economia da cidade. 

“É de extrema importância que indivíduos e comunidades estejam apropriados de sua história e origem, porque é a partir daí que construímos nossa identidade e fortalecemos nossa auto-estima”, diz o comendador Oswaldo Stival, que dá nome ao Instituto. Ele recebeu o título de comendador direto do presidente da Itália em 2012 por conta do reconhecimento de suas relevantes obras de resgate da cultura italiana no Brasil. Além disso, já foi prefeito de Nova Veneza em dois mandados, sendo o primeiro de 1989 a 1992. Depois de oito anos, foi reeleito e foi gestor do munícipio entre os anos de 2000 a 2004.

A proposta do memorial também é se unir ao festival para impulsionar ainda mais a economia local, conta Alessandro. “A concepção é trazer as pessoas para Nova Veneza. Voltar a ser uma cidade pujante. É o turismo gastronômico, pois é uma indústria limpa que traz empregos”, disse o médico. A última edição do evento ocorreu em 2019. Devido a pandemia da Covid-19, não foi possível realizar o evento nos anos de 2020 e 2021. 

Histórico

Unindo a família Stival, Bisnoto, Faquim e Bosco, a cidade de Nova Veneza começou a ser erguida em 1912. Porém, foi em 1924 que uma união entre esses nomes com os Sousas, Alves, Santos, Ferreira, Vargas, Peixoto e Constantino fez a fusão completa da oligarquia da cidade. Um exemplo disto é o casal Oswaldo Stival e Edith Peixoto Stival. Descendente direto dos primeiros italianos que chegaram à região, em 1912, Edith e Oswaldo são frutos de uma diáspora italiana que ocorreu em XIX da Itália para o Brasil em busca de oportunidades. Consequentemente, uma colônia italiana se alojou em um espaço de terras em Goiás.

Com 60 anos de união, os descendentes de italianos casaram-se em 1955 e tiveram cinco filhos. De origem humilde, ele sobrevivia da compra e venda de animais, no início de seu casamento. Porém, com o tempo, Oswaldo acabou tornando-se um dos maiores players da agropecuária do país, além de ter sido um dos pioneiros no comércio de cereais em Goiás. Ela, por sua vez, dedicava-se ao magistério e exerceu com maestria o papel de mãe e educadora.

A cidade de Nova Veneza é hoje a maior representação da imigração italiana no Centro-Oeste brasileiro. De acordo com o último Rapporto Italiani nel Mondo (Relatório Italiano no Mundo), realizado pela Fondazione Migrantes, o Brasil é o país com maior número de descendentes de italianos do mundo, com cerca de 30 milhões de descendentes ao longo do país. Fruto disto é Nova Veneza, um pedaço no estado de Goiás que concentra esta população. Atualmente, 60% dos moradores do município são descendentes de italianos.

Sobre o Centro Cultural, Edith Stival conta que só conheceu o memorial nesta quinta-feira, 3 de março, durante visita da imprensa ao local. “A construção durou 2 anos. Durante esse tempo queríamos ter visitado, mas meu filho dizia que só veria no dia que desse certo, na inauguração. Foi uma surpresa muito grande. Já visitei muitos museus, mas nunca vi tantos detalhes. Contaram a vida de um casal.”

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