Mulheres pobres são prejudicadas no mercado de trabalho por falta de vagas em Cmeis

Em Goiânia, mães veem as creches como fator determinante para garantia de um emprego

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2014, mostrava que a ocupação de creches tem impacto direto na ocupação das mães. Das mulheres que tinham filhos de até 3 anos em creche, 64% tinham emprego. Entre as mulheres com filhos que não frequentavam creche, o percentual era 41,2%.

Em Goiânia, esses números se tornam palpáveis quando se conversa com mulheres que, em época de matrícula nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmei), vão à luta para garantir a vaga dos seus filhos. Nesse caso, o déficit prejudica especificamente a mulher pobre – que não tem dinheiro para pagar uma creche particular.

Durante a semana o Jornal Opção conversou com algumas delas. Uma já entregava as armas. Carolina Guedes, vendedora autônoma, desistiu de trabalhar para ficar com os filhos de 4 e 1 ano de idade respectivamente. Com a não garantia de vaga, foi ela que teve que abrir mão do emprego e a família passará a viver apenas da renda do marido, que não supre todas as necessidades.

O IBGE destaca que “outro fator responsável pelas desigualdades de acesso das mulheres remonta aos papéis tradicionalmente associados a elas no que se refere aos cuidados a membros da família (crianças, idosos e incapacitados) e afazeres domésticos”.

As unidades de educação deveriam atender à todas as famílias, mas não é o que acontece em Goiânia | Foto: Secretaria de Educação de Aparecida de Goiânia/Divulgação

Viviane Bispo, enfermeira, teve que ceder à dificuldade para procurar emprego. Desempregada, ela busca na creche municipal um apoio para que possa voltar ao mercado. No Cmei mais perto de casa, sua filha só pode ficar na fila de espera. Ela, então, não podia arriscar, pois não queria abrir mão de trabalhar novamente e nem teria condições de pagar em uma privada.

A solução encontrada foi matricular a filha em uma unidade mais longe de onde mora. “Não tenho ninguém por mim, apesar de ter pai e irmãos. A minha filha na creche viabiliza que eu consiga um emprego e dê mais qualidade de vida para ela”, conta.

“O suporte de oferta de creches e escolas em tempo integral é fundamental para permitir que as mulheres consigam conciliar maternidade e estudo, ingressando no mercado de trabalho mais escolarizadas e tendo uma inserção mais qualificada no mercado de trabalho”, disse Bárbaro Cobo, coordenadora da pesquisa do IBGE à época.

A busca por igualdade de condições no mercado de trabalho é outro fator que é influenciado por esses dados, Isso, porque com inviabilidade de se conseguir um emprego, as mulheres permanecem em desvantagem em relação aos homens nas empresas. Além de influenciar no salário recebido. O mesmo levantamento mostrava que, até as mais escolarizadas, ainda recebiam, em média, apenas 68% do que ganhavam os homens.

Os dados ainda revelavam que, no País, apenas 23% das crianças entre 0 e 3 anos de idade iam a creches. A subsecretária de Articulação Institucional da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Vera Lúcia Soares, declarou, à época, que haveria de ter uma responsabilidade local dos gestores para garantir políticas públicas que proporcionem mais justiça no mercado entre os gêneros. Em Goiânia, espera-se e cobra-se do prefeito e seus secretários medidas que contribuam para isso.

Com informações da Agência Brasil.

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