Muitos candidatos para o Senado apoiando uma mesma chapa pode fragilizar candidaturas

Estratégia de lançar vários candidatos ao cargo de senador foi testada no Pará em 2014 e não obteve êxito

Com base na experiência do Pará, em 2014, quando uma mesma chapa lançou quatro nomes para concorrer ao Senado e não obteve êxito, a possibilidade do lançamento de mais de um nome para a disputa da única vaga ao Senado nestas eleições pode ser um risco estratégico. Em Goiás, o deputado federal Delegado Waldir (União Brasil), por enquanto, conseguiu uma resposta positiva dos técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além dele, o ex-deputado federal Alexandre Baldy (PP) e o senador Luiz do Carmo (PSC) ambicionam seguir o mesmo caminho e estar ao lado de Ronaldo Caiado (UB) na chapa governista. A dúvida é se essa estratégia pode pulverizar a votação e, consequentemente, não dar resultado positivo.

Para especialistas ouvidos pelo Jornal Opção uma mesma chapa lançar muitos nomes para um cargo majoritário não é recomendado. A cientista política Ludmila Rosa entende que uma mesma chapa lançar muitos nomes de candidatos a senador na prática é bastante complicado, podendo confundir o eleitor, além de pulverizar a votação das candidaturas, isso porque o cargo também é majoritário e neste ano será de apenas uma vaga para a renovar um terço do Senado. Ela cita como exemplo, o projeto de reeleição do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que está sendo disputado por pelo menos cinco nomes: deputado Delegado Waldir, Alexandre Baldy, Zacharias Calil (UB), Luiz do Carmo e João Campos (Republicanos). Além desses, Lissauer Vieira também pode entrar na disputa.

“Os partidos todos coligados em prol dele, para ele pode não mudar muita coisa, porque são vários candidatos, vários atores políticos pedindo voto e abrindo palanque. Agora, a gente tem que ver se, na prática, isso não pode trazer sacrifícios internamente para a campanha. Como aquelas disputas por agenda, conflitos nos 45 dias de campanha e desafetos”, pontua. 

Outra questão levantada é em relação à distribuição de recursos financeiros durante a campanha eleitoral. Nesse quesito, o cientista político Pedro Araújo destaca que pode haver concentração de recurso para um determinado candidato, havendo prejuízos aos demais, o que provocaria reclamações pós-período eleitoral.  De acordo com o especialista, a estratégia de lançar vários nomes para concorrer a um cargo, que nas eleições não é uma boa escolha. ”Lançar muitos nomes é ruim, mas muitas vezes as chapas, como algumas estão, lançar dois nomes poderia, neste momento, apaziguar os ânimos e não causar dissolução”, salienta. 

Principal interessado no lançamento de vários nomes na chapa caiadista, Delegado Waldir acredita que o pleno do TSE irá acatar o parecer técnico, devido à jurisprudência de outras decisões. Interpelado pelo Jornal Opção se muitos nomes em uma mesma chapa poderiam confundir o eleitorado, ele retrucou: “quanto mais candidatos tiver melhor. Nós temos que dar o direito do cidadão escolher. Não podemos censurar nenhum candidato, a gente tem que usar a democracia”.

Mas o modelo de disputa de mesma chapa com mais de um nome ao Senado, no caso da então reeleição para o governo paraense de Simão Jatene (PSDB), em 2014, contou com quatro candidatos a senador: Mario Couto (PSDB), Helenilson Pontes (PSD), Jefferson Lima (PP) e Marcela Tolentino (SD), que foram derrotados pelo petista Paulo Rocha, lançado sozinho por uma coligação de 11 partidos.

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