MPF emite nota de repúdio contra palestra sobre como “evitar e reverter” homossexualidade 

Igreja de Belo Horizonte acabou adiando palestra após repercussão negativa; palestrante afirmou que evento teve nome alterado sem sua autorização

Os dois convites para o evento que circularam no Facebook nesta terça-feira | Foto: Reprodução / Facebook

Os dois convites para o evento que circularam no Facebook nesta terça-feira | Foto: Reprodução / Facebook

O convite para uma palestra que ocorreria na Igreja Batista Getsêmani – Missão Portugal, que fica em Belo Horizonte, gerou revolta na internet e acabou sendo alvo de denúncia no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). De acordo com a divulgação, a pastora Isildinha Muradas — anunciada como psicopedagoga — ministraria uma palestra na quinta-feira (24/11) com o tema “Como prevenir e reverter a homossexualidade”.

Após a repercussão negativa, a Igreja acabou alterando o título do evento e, posteriormente, adiou a palestra. De acordo com eles, o tema original do evento seria “Orientando pais sobre a sexualidade de seus filhos” e a alteração do nome do evento teria sido feita por um outro pastor, Clóvis Costa Santos, sem autorização da palestrante.

A pastora, que na verdade é odontopediatra, afirmou em um vídeo divulgado em sua página no Facebook que foi convidada por Clóvis a realizar uma palestra de orientação a pais sobre sexualidade das crianças. “Eu jamais menti sobre a minha profissão e sobre minha formação acadêmica. Enquanto pastora e orientadora de famílias, eu não tenho nenhuma pretensão de entrar em assuntos que não são da minha competência. Quanto ao segmento LGBT, eu quero deixar claro que eu não tenho nada contra a opção e escolha sexual de ninguém”, disse.

Ministério Público

O caso acabou sendo denunciado no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na terça-feira (22/11). Após a denúncia, o MPMG e o Ministério Público Federal (MPF), por meio  da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), emitiram nota em que repudiavam a discriminação com base na orientação sexual.

De acordo com o documento, os órgãos se preocupam “com a disseminação de ações tendentes a tratar a homossexualidade como um aspecto negativo da personalidade e disseminar a discriminação com base na orientação sexual”. A nota lembra que a orientação sexual é parte essencial da personalidade de cada indivíduo e um dos aspectos mais básicos de sua dignidade e liberdade.

O MPMG e o MPF ressaltam, ainda, que a homossexualidade não é caracterizada como doença desde a década de 1970 e que psicólogos estão, desde 1999, proibidos de colaborarem com  com eventos e serviços que proponham tratamento e/ou cura da homossexualidade.

“Diante do exposto, as iniciativas recentemente divulgadas que pretendem fornecer orientações sobre como prevenir e/ou reverter a homossexualidade prestam um desserviço à concretização dos preceitos constitucionais, haja vista que, por não configurar doença, distúrbio ou perversão, a orientação sexual – seja ela pautada ou não pela heteronormatividade – não deve ser tratada como algo reversível, que pode ser evitado ou tratado”, finaliza a nota.

Igreja

A Igreja Getsêmani também divulgou uma nota de esclarecimento. De acordo com a igreja, ela tem como papel orientar seus membros em todas as áreas: “espiritual, profissional, relacional, familiar e também sexual. Isso, porque as igrejas têm por princípio a ministração da Palavra de Deus em sua integralidade”.

A igreja também afirmou que esse foi um “fato isolado” dentro de uma das unidades e que tem como princípio  dar apoio e atenção, além de ajudar com amor e misericórdia a todos que a procuram.

“Equivocadamente, por não conhecerem os fatos e se basearem apenas em um anúncio na Internet, muitos julgaram e condenaram precipitadamente. Cremos que não se pode julgar pessoas e/ou instituições por comentários de terceiros. A pastora e odontopediatra Isildinha Muradas não é psicopedagoga e não criou a propaganda veiculada. Com relação à Igreja Batista Getsêmani e à pastora, repudiamos quaisquer atos violentos, ofensas e ameaças.”, terminou.

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