MP deflagra operação em Goiás, DF e mais 6 estados para investigar fraudes em compras de testes de Covid-19

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpre 74 mandados de busca e apreensão. Existem fortes indícios de superfaturamento na aquisição dos insumos

Local onde houve busca e apreensão em Goiânia: Supermédica Distribuidora Hospitalar Eireli | Foto: MPGO

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Falso Negativo para investigar possíveis irregularidades na compra de testes para Covid-19.

Os agentes cumprem, na manhã desta quinta-feira, 2, 74 mandados de busca e apreensão em Goiás, no Distrito Federal e em mais seis estados da União: São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina e Paraná. Os mandados foram deferidos pela Justiça Criminal de Brasília.

De acordo com as informações, existem fortes indícios de superfaturamento na aquisição dos insumos e ainda evidências de que marcas adquiridas seriam imprestáveis para a detecção eficiente do Covid-19 ou de baixa qualidade nessa detecção. O somatório do valor das dispensas de licitação sob investigação supera o valor de 73 milhões de reais.

Em Goiânia foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas empresas Goyazes Biotecnologia Ltda (Gbio), no Setor Santa Genoveva, e Supermédica Distribuidora Hospitalar Eireli (Supermédica Hospitalar), no Jardim América. Foram apreendidos documentos e mídias, que serão levados para a sede do CI/Gaeco e, de lá, enviados para o MPDFT, que fará a análise do material.

A Prefeitura de Goiânia ressalta que não tem nenhum vínculo com as empresas citadas. Os testes de PCR para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) são realizados pelo Laboratório de Imunologia de Transplantes de Goiás (HLAGyn) e os testes rápidos são do Ministério da Saúde.

Por meio de nota, o Governo de Goiás informou que também não é alvo da operação Falso Negativo. “Desde o início da pandemia no Estado, em momento algum houve compra de testes rápidos por parte da Secretaria de Estado da Saúde, que detectou baixa qualidade dos testes enviados inicialmente para amostras, além do que recebeu 225 mil destes testes comprados pelo Ministério da Saúde”, diz comunicado.

“Ressalte-se que, prezando pela transparência de suas compras, a SES criou o Comitê Intersecretarial, que é formado por representantes da própria Secretaria da Saúde, da Controladoria-Geral do Estado (CGE), da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-GO), da Goinfra, e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que cuida da lisura de todos os processos”, completou.

O processo corre em sigilo. Durante a operação e as investigações, o Gaeco tem tomado todas as cautelas em relação à situação de pandemia e à delicadeza do momento.

O Gaeco/MPDFT contou com o apoio dos seguintes órgãos:

– Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor) da Polícia Civil do DF (PCDF);
-Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ;
-Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ);
-Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco/MPSP);
-Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Gaeco/MPES);
-Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Bahia (Gaeco/MPBA);
-Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Goiânia (Gaeco/MPGO);
-Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Santa Catarina (Gaeco/MPSC);
-Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Paraná (Gaeco/MPPR).

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